
Há números que doem. O Ferrari Luce, o primeiro elétrico da marca de Maranello, deverá custar mais de 500.000 euros. O Xiaomi YU7 GT, um SUV elétrico de alto desempenho saído da fábrica do gigante chinês dos smartphones, custa 389.900 yuans — cerca de 57.400 dólares. Dez vezes mais barato. E nos números de desempenho à cabeça, aguenta-se frente ao italiano sem corar.
Esta análise Ferrari Luce vs Xiaomi YU7 GT não é sobre dois rivais diretos — um é um GT de quatro portas, o outro um SUV. É sobre o que esse abismo de preço compra hoje em potência, autonomia e tempos de volta. E a resposta arrepia.
O Ferrari Luce anuncia mais de 1.000 cv (830 kW em modo boost), repartidos por quatro motores — um por cada roda. Algumas fontes citam até 1.113 cv. O eixo traseiro entrega 843 cv e 8.000 Nm de binário às rodas; o dianteiro, 286 cv. A unidade dianteira chega a desligar-se em meio segundo, passando o carro de tração traseira a integral conforme a situação.
O Xiaomi YU7 GT responde com 1.003 cv de produção: 386 cv à frente e 604 cv atrás, dois motores e tração integral. Vale notar que os primeiros relatos (fevereiro de 2026) falavam em 990 cv e houve até especulação de uma configuração tri-motor de 1.526 cv — mas a ficha técnica de produção do YU7 GT fixa-se nos 1.003 cv.
Na prática, esta comparação de potência Ferrari Luce vs Xiaomi acaba quase empatada. Um carro elétrico chinês a meter mais de mil cavalos pela mesma ordem de grandeza que um Ferrari, por um décimo do preço, é exatamente o tipo de notícia que faz a indústria europeia perder o sono.

Aqui o Ferrari leva vantagem, mas por margens finas. O Luce faz 0–100 km/h em cerca de 2,5 segundos e atinge 310 km/h. O YU7 GT precisa de 2,92 segundos para o mesmo exercício e está limitado eletronicamente a 300 km/h (186 mph).
Quatro décimas de segundo. É o que separa um Ferrari de meio milhão de um Xiaomi que custa menos do que muitos elétricos premium à venda em Portugal. Para quem não anda em pista, essa diferença é académica.
O argumento mais forte do Xiaomi não está na folha de especificações — está no asfalto. O YU7 GT cravou um tempo de 7:22,755 no Nordschleife de Nürburgring, batendo o recorde de SUV de produção e tirando cerca de 14 segundos ao anterior detentor, o Audi RS Q8.
Não foi sorte. O carro usou um pacote "Track Professional" com arco de segurança e bancos de competição, travões carbono-cerâmicos Akebono de seis pistões à frente capazes de aguentar dez travagens consecutivas a 178 km/h sem perda de eficácia, e uma suspensão Smart Chassis 2.0 com amortecedores de válvula dupla e molas pneumáticas. É um SUV elétrico de alto desempenho a sério, não um exercício de marketing.
| Especificação | Ferrari Luce | Xiaomi YU7 GT |
|---|---|---|
| Potência | mais de 1.000 cv (até 1.113 cv) | 1.003 cv (386 + 604) |
| 0–100 km/h | aproximadamente 2,5 s | 2,92 s |
| Velocidade máxima | 310 km/h | 300 km/h (limitada) |
| Bateria | 122 kWh, NMC, 880 V | 101,7 kWh, lítio ternário, 897 V |
| Autonomia | mais de 530 km (WLTP) | cerca de 705 km (CLTC) |
| Carregamento DC | 350 kW | arquitetura 897 V |
| Carroçaria / lugares | GT 4 portas, 4 lugares | SUV de desempenho |
| Preço | mais de 500.000 euros (est.) | 389.900 yuans (cerca de 57.400 dólares) |
Cuidado com a leitura da autonomia. O Ferrari indica mais de 530 km em ciclo WLTP; o Xiaomi anuncia cerca de 705 km, mas em ciclo CLTC — a norma chinesa, bastante mais otimista. Não são números diretamente comparáveis. Na vida real, a diferença encolhe muito.
No carregamento, o Luce tem dados publicados: arquitetura de 880 V e até 350 kW em corrente contínua, fazendo 10% a 80% em menos de 25 minutos em condições ideais. O YU7 GT assenta numa plataforma de 897 V — das mais avançadas do mercado — mas a Xiaomi não detalhou a potência máxima de carregamento.

Os números contam metade da história. O Luce é um Ferrari, com tudo o que isso implica. Bateria de 122 kWh integrada estruturalmente no chassis, suspensão ativa elétrica de terceira geração, direção às quatro rodas e uma unidade central a gerir os quatro motores, as quatro suspensões e a direção de cada roda.
Depois há o que não se mede em cv. O interior é assinado pelo estúdio LoveFrom, de Jony Ive e Marc Newson, com prioridade aos materiais físicos em vez de ecrãs — volante em alumínio 100% reciclado, Manettino tradicional mais um novo eManettino. E um truque para os puristas: acelerómetros captam as vibrações reais dos motores traseiros e amplificam-nas pelos altifalantes, criando um "som" que evolui com a rotação e o binário.
O Luce é classificado dentro da família GT, entre o Amalfi e o 12Cilindri, com perfil de "carrinha de caça" e batalha de 2,96 m. Não é um supercarro — é um gran turismo de quatro lugares que por acaso é totalmente elétrico.
Depende do que se valoriza. Em desempenho puro estão muito próximos: o Ferrari Luce faz 0-100 km/h em cerca de 2,5 s e o Xiaomi YU7 GT em 2,92 s, ambos com mais de 1.000 cv. O YU7 GT até detém o recorde de SUV de produção em Nürburgring (7:22,755). Mas o Luce é um gran turismo Ferrari com engenharia, exclusividade e acabamento (interior LoveFrom de Jony Ive) que o Xiaomi não tem. A diferença real está no preço: cerca de 10 vezes a favor do chinês.
Ainda não há preço oficial, mas os analistas apontam para mais de 500.000 euros, acima do híbrido SF90 Stradale. A esse valor há que somar o ISV, que num carro deste escalão empurra a fatura final ainda mais para cima. A Ferrari espera que o Luce represente apenas cerca de 5% das suas vendas em 2026, pelo que será uma raridade absoluta.
Não em linha reta, mas por pouco. O Ferrari Luce acelera de 0-100 km/h em cerca de 2,5 s e atinge 310 km/h, contra os 2,92 s e 300 km/h (limitados) do Xiaomi YU7 GT — apenas quatro décimas de diferença. Em pista, porém, o YU7 GT bateu o recorde de SUV de produção em Nürburgring, com pacote Track Professional, travões carbono-cerâmicos Akebono e suspensão Smart Chassis 2.0.
É cerca de dez vezes. O Ferrari Luce deverá custar mais de 500.000 euros (estimativa de ~650.000 dólares), enquanto o Xiaomi YU7 GT custa 389.900 yuans, cerca de 57.400 dólares na China. Esse abismo de preço é o ponto central da comparação: dois carros com números de desempenho comparáveis, mas separados por uma ordem de grandeza no custo.
Ainda não está confirmado. A Xiaomi ainda não vende automóveis fora da China e a chegada à Europa continua por anunciar. Quando acontecer, o preço europeu não será os ~57.400 dólares chineses: importação, homologação, IVA e ISV alteram tudo. O Ferrari Luce, esse, revela o exterior completo a 25 de maio de 2026 e começa a entregar em outubro de 2026.
O Ferrari Luce revela o exterior completo a 25 de maio de 2026, em Roma, com as primeiras entregas em outubro de 2026. Preço oficial? Ainda não há. Os analistas apontam para mais de 500.000 euros — acima do híbrido SF90 Stradale. A esse valor há que somar o ISV, que para um carro deste preço empurra a fatura final ainda mais para cima. Será uma raridade absoluta: a Ferrari espera que represente cerca de 5% das suas vendas em 2026.
O Xiaomi YU7 GT já foi revelado, mas a chegada à Europa — e a Portugal — continua por confirmar. A Xiaomi ainda não vende carros fora da China, e quando o fizer, o preço europeu não será os 57 mil dólares chineses: importação, homologação, IVA e ISV mudam tudo. Mesmo assim, a julgar pela referência do mercado chinês, ficaria numa ordem de grandeza completamente diferente da do Ferrari.
A comparação Ferrari Luce vs Xiaomi YU7 GT não decide qual comprar — quase ninguém escolhe entre os dois. Decide outra coisa: que a vantagem tecnológica que justificava preços astronómicos está a evaporar-se. Vale a pena acompanhar o que a Xiaomi e as restantes marcas chinesas trazem à Europa nos próximos anos. Se já entregam isto na China, o resto do mercado vai ter de responder.