Ferrari Luce Elétrico: Ficha Técnica, Preço e Chegada a Portugal

Publicado: 26/05/2026
Ferrari Luce: O Primeiro Ferrari Elétrico Chega em 2026

Ferrari Luce elétrico: o primeiro Ferrari sem motor de combustão

Demorou mais do que muitos esperavam, mas chegou. O Ferrari Luce elétrico é o primeiro carro 100% a bateria da marca de Maranello, apresentado a 25 de maio de 2026 em Roma. O nome significa "luz" em italiano, e a ambição é tudo menos discreta: quatro motores, mais de 1.000 cv e um interior assinado por Jony Ive, o homem por trás do iPhone.

Para quem segue o mercado em Portugal, esta é uma daquelas estreias que muda a conversa. Não pela quantidade de unidades que vão circular cá — serão pouquíssimas — mas pelo que diz sobre o rumo dos supercarros elétricos. Quando a Ferrari avança, o resto da indústria toma nota.

Quanto cavalos tem o Ferrari Luce: quatro motores e tração integral

O Luce monta quatro motores, um por roda, numa configuração de tração integral com vetorização de binário nos dois eixos. A potência combinada gera alguma confusão entre fontes — a Ferrari fala em mais de 1.000 cv em modo Boost, vários meios citam 1.113 cv (830 kW), e há quem aponte 986 cv. A diferença está nas condições de medição, não numa indecisão da marca.

A distribuição é o que importa para perceber o carácter do carro. Cada motor dianteiro entrega 141 cv (241 N·m), enquanto cada motor traseiro chega aos 416 cv (659 N·m). É uma máquina com vincada vocação traseira, fiel ao ADN Ferrari, com o binário às rodas a atingir 7.999 N·m atrás e 3.499 N·m à frente.

Os números de desempenho acompanham: 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e velocidade máxima de 310 km/h. Em cruzeiro, os motores dianteiros desligam-se para poupar energia — um detalhe inteligente que liga diretamente à autonomia.

A configuração dos motores usa um arranjo Halbach, a mesma técnica das unidades de Fórmula 1 da Ferrari, que concentra o fluxo magnético no estator para maximizar a densidade de binário. Traduzindo: muito mais força no mesmo espaço.

Ferrari Luce autonomia e carregamento: 530 km e plataforma 880V

A bateria é um NMC de 122 kWh fornecido pela SK On, montada sobre uma plataforma de 880V desenvolvida de raiz para este modelo. São 210 células em 15 módulos, com uma densidade energética de 280 Wh/kg ao nível da célula — valores de ponta.

A autonomia WLTP anunciada é de mais de 530 km. Para um supercarro deste peso e potência, é um número realista, ainda mais quando os motores dianteiros se desligam em cruzeiro. Não vai bater um sedan elétrico familiar, mas também não é essa a missão.

No carregamento, a arquitetura de 880V permite até 350 kW em corrente contínua, com os 10–80% a fazerem-se em menos de 25 minutos nas condições ideais. Em Portugal, a rede MOBI.E e os carregadores rápidos nas autoestradas já comportam estas potências em vários pontos, por isso uma viagem Lisboa-Porto com uma paragem técnica é perfeitamente exequível.

Interior do Ferrari Luce: a aposta analógica de Jony Ive

Aqui está o verdadeiro choque. Enquanto metade da indústria enche os habitáculos de ecrãs, a Ferrari foi ao sentido contrário. O interior nasceu da colaboração entre o Centro Stile Ferrari, liderado por Flavio Manzoni, e o estúdio LoveFrom, de Sir Jony Ive e Marc Newson.

A filosofia é "analógica primeiro". Em vez de tudo controlado por toque, o Luce traz interruptores e toggles físicos em alumínio maquinado, um seletor de velocidades em vidro, e superfícies em aço polido e mate. O volante é feito de alumínio 100% reciclado, inspirado nos clássicos volantes Nardi dos anos 1950–60. Há ecrãs — um cluster OLED de dupla camada de 12,9" e um painel central de 12" — mas estão ao serviço do condutor, não a substituir tudo.

O novo eManettino oferece os modos Range, Tour e Performance. E o som? Nada de motores falsos: acelerómetros captam as vibrações reais do eixo traseiro e amplificam-nas no habitáculo. É som autêntico, não uma gravação.

Quanto custa o Ferrari Luce e quando chega a Portugal

Aqui entra a honestidade necessária: a Ferrari ainda não anunciou preço oficial. As estimativas variam bastante. Os analistas europeus apontam para mais de 500.000 €, posicionando o Luce acima do híbrido SF90 Stradale. Do outro lado do Atlântico, fala-se em cerca de 823.000 dólares; outra estimativa aponta os 535.000 dólares (cerca de 460.000 €).

Em Portugal, o cálculo final dependerá de impostos. Sendo um elétrico, beneficia da isenção de ISV e de um IUC reduzido — incentivos que, num carro deste escalão, representam uma poupança absoluta enorme, ainda que irrelevante para quem o compra. Para o comprador português, o preço de tabela ronda quase de certeza o meio milhão de euros antes de extras.

As primeiras entregas estão previstas para outubro de 2026. A Ferrari espera que o Luce represente cerca de 5% das suas vendas em 2026 — propositadamente um número pequeno. O CEO Benedetto Vigna foi claro: este é "um acréscimo à gama, não uma transição". A estratégia para 2030 aponta para 20% elétricos, 40% híbridos e 40% combustão.

Ficha técnica do Ferrari Luce

EspecificaçãoValor
MotorizaçãoQuatro motores, tração integral (arranjo Halbach)
Potência combinadaMais de 1.000 cv (Boost); até 1.113 cv / 830 kW citados
Motores dianteiros141 cv cada (241 N·m)
Motores traseiros416 cv cada (659 N·m)
0–100 km/hcerca de 2,5 s
Velocidade máxima310 km/h
Bateria122 kWh NMC (SK On), 880V, 210 células / 15 módulos
Autonomia WLTPmais de 530 km
Carregamento DCaté 350 kW; 10–80% em menos de 25 min
Plataforma880V dedicada; suspensão ativa 48V; direção às 4 rodas
Distância entre eixos2.959–2.960 mm
Distribuição de peso47:53
Carroçaria5 portas, 4–5 lugares
ProduçãoE-Building, Maranello (Itália)
Estreia25 de maio de 2026, Roma
Entregasoutubro de 2026
Preço estimadomais de 500.000 € (sem valor oficial)

Perguntas Frequentes

A Ferrari ainda não anunciou preço oficial. As estimativas europeias apontam para mais de 500.000 €, posicionando o Luce acima do híbrido SF90 Stradale, enquanto fontes nos EUA falam em cerca de 823.000 dólares e outras em 535.000 dólares (cerca de 460.000 €). Em Portugal, sendo 100% elétrico, beneficia da isenção de ISV e de IUC reduzido, mas o preço de tabela deverá rondar o meio milhão de euros antes de extras.

O Luce foi apresentado a 25 de maio de 2026 em Roma e as primeiras entregas estão previstas para outubro de 2026. As unidades destinadas a Portugal serão pouquíssimas, já que a Ferrari espera que o modelo represente apenas cerca de 5% das suas vendas em 2026 — propositadamente um volume pequeno.

A autonomia WLTP anunciada é de mais de 530 km, suportada por uma bateria NMC de 122 kWh da SK On. Graças à plataforma de 880V, o carregamento em corrente contínua chega aos 350 kW, fazendo o 10–80% em menos de 25 minutos. Em cruzeiro, os motores dianteiros desligam-se para poupar energia, e a rede MOBI.E em Portugal já comporta estas potências em vários pontos.

O Luce monta quatro motores (um por roda) com potência combinada acima de 1.000 cv em modo Boost — várias fontes citam 1.113 cv (830 kW). Cada motor dianteiro entrega 141 cv e cada traseiro 416 cv, numa configuração de vincada vocação traseira. Acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos e atinge 310 km/h de velocidade máxima.

O interior nasceu da colaboração entre o Centro Stile Ferrari e o estúdio LoveFrom de Sir Jony Ive e Marc Newson, com uma filosofia "analógica primeiro". Em vez de ecrãs para tudo, traz interruptores físicos em alumínio maquinado, seletor de velocidades em vidro e um volante em alumínio 100% reciclado inspirado nos clássicos Nardi. O som não é falso: acelerómetros captam as vibrações reais do eixo traseiro e amplificam-nas no habitáculo.

Vale a pena seguir o Luce, mesmo sem o comprar

Quase ninguém em Portugal vai ter um Luce na garagem. Mas o que a Ferrari decidiu fazer aqui — manter botões físicos, recusar o som artificial, desligar motores para poupar energia — define o tom para o segmento de luxo elétrico. Quando os fabricantes generalistas começarem a copiar estas ideias, os carros elétricos que conseguimos comprar cá vão melhorar.

Para já, fica o calendário: estreia feita, entregas a partir de outubro, e o preço oficial ainda por confirmar. Vale a pena acompanhar — é o momento em que o supercarro elétrico deixa de ser promessa e passa a ser produto.