Desvalorização dos Carros Elétricos Chineses em Portugal: o Que Saber

Publicado: 02/06/2026
Desvalorização dos Carros Elétricos Chineses: 62% em 3 Anos

Porque é que os elétricos chineses desvalorizam tanto

Um elétrico chinês com três anos vale hoje, em média, apenas 38% do preço a que saiu do stand. É o número que a DAT, a autoridade alemã de avaliação automóvel, acaba de colocar em cima da mesa — e que torna a desvalorização dos carros elétricos chineses cerca de duas vezes mais rápida do que a média do mercado.

Para quem está a ponderar comprar um BYD, um MG ou outro elétrico chinês em Portugal, este dado muda a conta toda. O preço de catálogo é atrativo, sim. Mas o que conta no fim é quanto recupera quando o vender — e aí a história é menos simpática do que o folheto comercial sugere.

Quanto desvaloriza um carro elétrico chinês em 3 anos

A DAT, citada pelo seu responsável de avaliações Martin Weiss, é clara: as marcas chinesas (elétricos e híbridos plug-in) perdem valor ao dobro do ritmo da média do setor, e a queda está a acelerar. Para perceber a dimensão, vale a pena olhar para a retenção de valor aos três anos por tipo de carro.

Tipo de carro (3 anos)Reino UnidoAlemanha / França / Espanha
Elétrico38%46%
Gasolina45%
Híbrido51%

Repare num pormenor: mesmo os elétricos em geral ficam atrás da gasolina e dos híbridos na retenção de valor. Os chineses são apenas o pior caso dentro de uma categoria que já desvaloriza depressa. No mercado alemão, a DAT estima que um elétrico perca cerca de 51% do valor em três anos, contra os 38% de um carro de combustão.

Os três motivos por trás da queda

Não é uma só razão. São três que se reforçam.

Crise de confiança. Weiss resumiu-a bem: "não basta lançar um bom produto". O comprador de usados quer saber se a marca ainda cá estará daqui a cinco anos, se há peças, se há rede de assistência. Com marcas chinesas recém-chegadas, essa certeza não existe — e a dúvida desconta-se no preço.

Descontos agressivos no novo. Quando uma marca corta o preço de catálogo de um dia para o outro, o seu carro de três anos passa a parecer caro de repente. Foi o que a Tesla fez repetidamente, e as marcas chinesas seguem a mesma lógica de preço agressivo. Cada corte no novo arrasta o usado para baixo.

Ciclos de tecnologia rápidos. Os elétricos renovam-se depressa — mais autonomia, carregamento mais rápido, software novo. Um modelo com um ano já parece ultrapassado, e isso pesa na revenda muito mais do que num carro a combustão.

BYD Seal elétrico de perfil numa estrada
A BYD é das marcas chinesas que melhor segura o valor — mas a dependência de frotas pesa na revenda.

O efeito das frotas e do renting

Há um fator que poucos compradores conhecem: muitas marcas chinesas escoam volume através de canais de frota e rent-a-car de curta duração. O BYD Seal U DM-i, híbrido plug-in, é um dos exemplos mais populares na Alemanha. O problema vem depois: quando esses carros regressam ao mercado de usados quase todos ao mesmo tempo, inundam a oferta e empurram os preços para baixo.

A pressão sente-se também no renting. Bart Beckers, vice-CEO da Arval, admitiu que a empresa "já foi obrigada a subir preços" porque os carros devolvidos valem bem menos do que o previsto. Tradução para o cliente: mensalidades mais altas, o que corrói exatamente o argumento de valor com que muitos elétricos chineses são vendidos.

O mercado de usados elétricos está pressionado em geral

Não é só um problema chinês. Os valores residuais dos elétricos na Europa atingiram o pico em outubro de 2022 e não pararam de cair desde então. Segundo a Autovista, os usados elétricos valem hoje cerca de 24% menos do que antes da pandemia na Alemanha e perto de 30% menos no Reino Unido.

As marcas chinesas representam ainda menos de 1% dos anúncios de usados na Alemanha, mas o volume quase triplicou desde 2022 enquanto a procura se mantém fraca. Mais oferta, pouca procura — a receita perfeita para preços em queda.

Que carro elétrico chinês mantém melhor o valor

Nem tudo é mau, e há diferenças importantes entre modelos. Quem compra de olhos abertos pode minimizar o estrago.

  • Líderes de retenção (não chineses): Tesla Model 3 e Model Y, Hyundai Ioniq 5 e Kia EV6 são as referências. Têm procura larga, autonomia comprovada e rede de carregamento sólida.
  • Melhores entre as chinesas: a BYD destaca-se. Modelos como o Seal, o Dolphin e o Atto 3 seguram melhor o valor do que a média das marcas chinesas.
  • Os que mais caem: a MG perde, em média, cerca de 50% do valor nos primeiros três anos — e o MG5 terá perdido perto de 20% logo no primeiro ano.

Importa um aviso: vários destes números de marca vêm de mercados fora da Europa, por isso valem como orientação de tendência, não como tabela exata para Portugal. A direção, porém, é consistente em todas as fontes.

Perguntas Frequentes

Em média, um elétrico chinês com três anos vale apenas cerca de 38% do preço a que saiu do stand, segundo a DAT, a autoridade alemã de avaliação automóvel. Isso representa uma desvalorização cerca de duas vezes mais rápida do que a média do mercado, e a tendência tem vindo a acelerar. Para comparação, um carro a gasolina retém cerca de 45% do valor ao fim de três anos.

Entre as marcas chinesas, a BYD é a que melhor segura o valor: modelos como o Seal, o Dolphin e o Atto 3 ficam acima da média da categoria. No lado oposto, a MG perde em média cerca de 50% do valor nos primeiros três anos, com o MG5 a perder perto de 20% logo no primeiro ano. Note-se que algumas destas referências de marca vêm de mercados fora da Europa, pelo que valem como orientação de tendência e não como tabela exata para Portugal.

Pode valer muito a pena, precisamente porque a desvalorização brutal dos primeiros três anos já foi absorvida pelo primeiro dono. Ao comprar usado, exija o relatório de saúde da bateria, confirme a garantia (normalmente 8 anos ou 150.000 km, muitas vezes transferível para o segundo dono) e evite modelos que estejam muito descontados em novo, pois o usado sofre a mesma erosão de preço.

Há três fatores que se reforçam: a crise de confiança em marcas recém-chegadas (dúvidas sobre peças, assistência e longevidade da marca), os descontos agressivos no preço de catálogo dos modelos novos, que arrastam o usado para baixo, e os ciclos rápidos de tecnologia, que tornam um modelo com um ano já desatualizado. O escoamento de volume através de frotas e rent-a-car também inunda periodicamente o mercado de usados.

Para quem dá prioridade ao valor, o usado é geralmente a melhor opção, já que a maior parte da desvalorização ocorre nos primeiros três anos. Quem compra novo deve contar com uma desvalorização forte e escolher um modelo com procura comprovada, boa autonomia WLTP e rede de assistência estabelecida — é o que separa um elétrico chinês que mantém algum valor de outro que se afunda na revenda.

Comprar novo ou usado — o que compensa em Portugal

Aqui está a outra face da moeda. Se um elétrico chinês perde valor depressa, então comprá-lo usado é precisamente onde está a oportunidade. Quem absorveu a desvalorização brutal dos primeiros três anos foi o primeiro dono — não você.

Ao procurar um elétrico chinês usado em Portugal, vale a pena fazer três coisas:

  1. Exigir o relatório de saúde da bateria. É o ativo mais caro do carro. Um documento que confirme boa capacidade restante vale ouro na compra e na futura revenda.
  2. Confirmar a garantia da bateria. A maioria cobre 8 anos ou 150.000 km, muitas vezes transferível para o segundo dono — um argumento que segura valor.
  3. Fugir aos modelos muito descontados no novo. Se a versão nova está com grandes promoções, o seu usado vai sofrer a mesma erosão de preço.

Para quem compra novo, a regra inverte-se: conte com uma desvalorização forte e escolha um modelo com procura comprovada, boa autonomia WLTP e rede de assistência estabelecida. É o que separa um elétrico chinês que mantém algum valor de outro que se afunda.

A desvalorização rápida não é, por si só, motivo para fugir das marcas chinesas. É motivo para comprar do lado certo da curva — usado, com a bateria verificada — e para ler o preço de catálogo com o ceticismo que ele merece.