
A Dacia acabou com as adivinhas. A segunda geração do Spring foi apresentada a 8 de setembro de 2026 com preços fechados: 17.900 € na versão Expression e 19.400 € na Journey em França (19.500 € em Itália), sem incentivos e sem extras. Toda a gama fica abaixo dos 20.000 €, exactamente onde a marca prometeu que ficaria.
A mudança mais importante não está na tabela de preços, está na fábrica. O novo Spring deixa a China e passa a ser produzido em Novo Mesto, na Eslovénia, na mesma linha do Renault Twingo E-Tech. Isso liberta-o das tarifas aduaneiras que a UE aplica aos eléctricos chineses e, mais importante para quem compra, torna-o elegível para os apoios europeus à compra.
Em junho escrevemos sobre esta segunda geração a partir dos teasers oficiais, com um preço estimado. Agora temos a ficha técnica completa — e a estimativa não estava longe.
O Spring abandona a plataforma CMFA-EV e passa para a arquitectura RGEV small, também conhecida como AmpR Small — a mesma do Twingo E-Tech, do Renault 5 E-Tech e do Nissan Micra. Na prática, o Spring deixou de ser um carro chinês adaptado e passou a ser um Renault do grupo, com tudo o que isso implica em qualidade de condução e electrónica.
O motor é único: 60 kW (82 cv) no eixo dianteiro, 175 Nm, 0-100 km/h em 12,1 segundos e 130 km/h de velocidade máxima. A bateria é LFP de 27,5 kWh úteis, boa para até 250 km WLTP — mais 25 km do que a geração anterior, mas menos 13 km do que o Twingo, que usa exactamente a mesma bateria. O consumo homologado é de 12,7 kWh/100 km na Journey e 12,9 na Expression.
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Plataforma | RGEV small / AmpR Small |
| Motor | 60 kW (82 cv), tracção dianteira |
| Binário | 175 Nm |
| 0-100 km/h | 12,1 s |
| Velocidade máxima | 130 km/h |
| Bateria | 27,5 kWh úteis, LFP |
| Autonomia WLTP | até 250 km |
| Consumo | 12,7 kWh/100 km (Journey) |
| Peso | desde 1.212 kg |
| Comprimento | 3.850 mm |
| Largura (sem espelhos) | 1.740 mm |
| Altura | 1.520 mm |
| Distância entre eixos | 2.490 mm |
| Diâmetro de viragem | 4,95 m |
| Bagageira | 337 l |
| Bagageira com bancos rebatidos | 1.283 l |
| Frunk (opcional) | 18 l |
| Lugares | 4 |
São 3,85 metros de comprimento (mais 15 cm do que o Spring antigo e mais 6 cm do que o Twingo), 1,74 m de largura (mais 18 cm) e 2,49 m entre eixos (mais 7 cm). A altura manteve-se nos 1,52 m. O diâmetro de viragem é de 4,95 metros, um número que se agradece nas ruas estreitas do Porto ou de Lisboa.
O ganho real está atrás. A bagageira leva 337 litros com fundo amovível em duas partes — mais 29 litros do que antes e mais 27 do que o Twingo, o que faz dela a maior da categoria. Com o banco traseiro 50/50 rebatido sobem para 1.283 litros. E há ainda um frunk opcional de 18 litros à frente, ideal para arrumar o cabo de carregamento, além de cerca de 20 litros de arrumação no habitáculo.
Atrás continuam a caber duas pessoas — o Spring é homologado para quatro lugares — com mais espaço para a cabeça e para as pernas do que antes. O banco traseiro é firme e baixo em relação ao piso por causa da bateria no chassis, o que deixa os joelhos altos. Para a cidade não incomoda; para uma viagem longa, incomoda.

A gama nova tem apenas dois níveis, Expression e Journey. Atenção a um pormenor que confunde muita gente: Essential, Extreme e Cargo são acabamentos do Spring antigo, com bateria de 24,3 kWh — não têm nada a ver com esta geração.
| Equipamento | Expression | Journey |
|---|---|---|
| Jantes | 15" aço com tampões | 16" aço com tampões |
| Quadrante digital | 7" | 7" |
| Infoentretenimento | Media Control (suporte para smartphone) | Media Nav Live 10,1" |
| CarPlay / Android Auto sem fios | Não | Sim |
| Ajuda ao estacionamento | Sensores traseiros | Sensores + câmara |
| Cartão mãos-livres | Não | Sim |
| Pack Charge (50 kW DC) | Indisponível | Opcional, 500 € |
Ambas partilham motor, bateria, carregador de bordo de 6,6 kW e ar condicionado manual. A Journey acrescenta o ecrã táctil de 10,1 polegadas com navegação conectada durante oito anos, dois USB-C, câmara traseira e o cartão mãos-livres. Pelos 1.500 € de diferença, é a versão que faz mais sentido — e é a única que dá acesso ao carregamento rápido.
Este é o ponto fraco do carro e vale a pena ser directo sobre ele. De série, todos os Spring trazem carregador AC de 6,6 kW. Numa tomada doméstica são 9 horas para ir de 15% a 80%; numa tomada reforçada, 5 h 40; numa wallbox de 7 kW, 2 h 55. Para quem carrega em casa durante a noite, chega perfeitamente.
O carregamento rápido em corrente contínua a 50 kW — 28 minutos de 15% a 80% — só existe com o Pack Charge de 500 €, que também sobe o carregador AC para 11 kW (1 h 55 numa wallbox trifásica ou num posto de 22 kW) e acrescenta a função V2L para alimentar aparelhos eléctricos a partir da bateria. E esse pack está reservado à Journey.
O problema é a concorrência. O Leapmotor T03 e o BYD Dolphin Surf trazem carregamento DC de série, mesmo nas versões de entrada. Um Spring Expression comprado sem pensar nisto fica preso à rede AC: quem só fizer cidade não dá por nada, mas quem precise de parar na A1 a caminho do Porto vai sentir a falta. Se há uma caixa a marcar na configuração, é esta.
Ainda não há tabela de preços portuguesa — a Dacia abriu encomendas em França a 8 de setembro e a lista nacional deverá surgir nas semanas seguintes. O que podemos fazer é uma estimativa a partir das tabelas europeias já publicadas, e convém dizer que é isso mesmo: uma estimativa.
França pede 17.900 € pela Expression e 19.400 € pela Journey; Itália pede 17.900 € e 19.500 €. Como os eléctricos estão isentos de ISV em Portugal, o preço nacional tende a ficar muito próximo destes valores, com pequenas diferenças de IVA e de equipamento de série entre mercados. Contamos, portanto, com algo na ordem dos 18.000 € para a Expression e 19.500 € para a Journey, sujeito a confirmação oficial.
E convém somar os extras antes de decidir. Com a lista francesa: pintura metalizada 550 €, cabo de carregamento doméstico 300 €, frunk 150 €, bancos aquecidos 250 € e Pack Charge 500 €. Uma Expression branca com cabo e frunk fica em 18.350 €; uma Journey com Pack Charge e bancos aquecidos passa os 20.150 €. A promessa dos "menos de 20 mil" resiste na gama base, mas evapora-se com a folha de opções.
Do lado fiscal, o cenário português é favorável: isenção total de ISV, isenção de IUC para veículos exclusivamente eléctricos e as vantagens fiscais habituais para viaturas de empresa. Sobre incentivos directos à compra, vale a pena confirmar o que estiver em vigor no momento da encomenda — em França este Spring beneficia do apoio "coup de pouce CEE", entre 3.620 € e 6.180 €, precisamente por ser fabricado na Europa.
O rival mais incómodo do Spring é o irmão de fábrica. O Twingo E-Tech tem a mesma bateria de 27,5 kWh, o mesmo motor de 60 kW e os mesmos 175 Nm, mas anuncia 263 km WLTP — mais 13 km — e custa 19.490 € de tabela em França. O Spring responde com 27 litros a mais de bagageira, 6 cm a mais de comprimento e um preço de entrada 1.590 € mais baixo. É uma escolha entre espaço e autonomia, não entre barato e caro.
| Modelo | Preço de entrada (França, set. 2026) | Carregamento DC de série |
|---|---|---|
| Leapmotor T03 | 16.900 € | Sim |
| Dacia Spring | 17.900 € | Não (opcional, só Journey) |
| Renault Twingo E-Tech | 19.490 € | Opcional |
| BYD Dolphin Surf | 19.990 € | Sim |
O Leapmotor T03 continua mais barato à entrada e inclui carregamento rápido de série; o BYD Dolphin Surf é o mais caro dos quatro. Nenhum dos dois beneficia dos apoios europeus reservados a produção local, o que em mercados com incentivo inverte a ordem da tabela. Em Portugal, sem incentivo directo à compra ao momento, a comparação faz-se pelo preço de lista — e aí o Spring fica no meio, com a maior bagageira e a pior ficha de carregamento de base.
Vale ainda notar que o Spring antigo, de fabrico chinês, continua à venda durante um período de transição como opção mais barata. Foram mais de 210.000 unidades vendidas em mais de 40 países desde 2021, e na Alemanha chegou a estar em 11.900 €. Se o preço é o único critério, o carro velho ainda tem argumentos.
As encomendas abriram a 8 de setembro de 2026 e as primeiras entregas estão previstas para o final do ano, com alguns mercados a apontar para o início de 2027. Para Portugal, o próximo marco é a tabela de preços oficial — e a resposta à pergunta que interessa: se o Pack Charge vai continuar a ser opcional e exclusivo da Journey também por cá.
Ainda não existe tabela de preços oficial portuguesa. Em França o novo Spring custa 17.900 € na Expression e 19.400 € na Journey (19.500 € em Itália), pelo que a estimativa para Portugal ronda os 18.000 € e 19.500 € respetivamente, sujeita a confirmação da Dacia. Convém contar com os extras: pintura metalizada 550 €, cabo de carregamento doméstico 300 €, frunk de 18 litros 150 €, bancos aquecidos 250 € e Pack Charge 500 €. As encomendas abriram a 8 de setembro de 2026 e as primeiras entregas estão previstas entre o final de 2026 e o início de 2027.
A homologação WLTP aponta para até 250 km, com consumos de 12,7 kWh/100 km na Journey e 12,9 kWh/100 km na Expression. Como o ciclo WLTP inclui muita condução urbana, em autoestrada a velocidades legais é realista contar com cerca de 20% a 30% menos, ou seja qualquer coisa entre 170 e 190 km com a bateria LFP de 27,5 kWh. Para o uso a que o carro se destina — cidade e percursos casa-trabalho — os 250 km ficam ao alcance; para viagens longas, o Spring continua a ser um carro de segunda viatura.
Com o carregador de bordo de 6,6 kW AC que é de série, um ciclo de 15% a 80% demora cerca de 9 horas numa tomada doméstica normal, 5 horas e 40 minutos numa tomada reforçada e 2 horas e 55 minutos numa wallbox de 7 kW. Com o Pack Charge opcional, que traz o carregador AC de 11 kW, o mesmo ciclo cai para 1 hora e 55 minutos. Em carregamento rápido DC a 50 kW são 28 minutos dos 15% aos 80%.
Praticamente tudo. O novo Spring troca a plataforma CMFA-EV pela arquitetura RGEV small (AmpR Small) partilhada com o Renault Twingo E-Tech, o Renault 5 E-Tech e o Nissan Micra, e passa a ser fabricado em Novo Mesto, na Eslovénia, em vez da China — o que o liberta das tarifas aduaneiras da UE aos elétricos chineses. Cresce 15 cm em comprimento (3,85 m) e 18 cm em largura, a bagageira sobe para 337 litros (1.283 litros com os bancos rebatidos) e a bateria LFP de 27,5 kWh eleva a autonomia para 250 km WLTP, com 60 kW de potência. O Spring antigo, com 24,3 kWh, mantém-se à venda durante um período de transição como alternativa mais barata.
Não. Sendo um veículo exclusivamente elétrico, o Spring está isento de Imposto Sobre Veículos (ISV) e de Imposto Único de Circulação (IUC) em Portugal, além de beneficiar das vantagens fiscais habituais em viaturas de empresa. É por isso que o preço português deverá ficar muito perto das tabelas francesa e italiana, com as diferenças a virem apenas do IVA e do equipamento de série. Quanto a incentivos diretos à compra, vale a pena confirmar o que estiver em vigor à data da encomenda — em França este Spring beneficia do apoio "coup de pouce CEE", entre 3.620 € e 6.180 €, precisamente por ser fabricado na Europa.