Dacia Carros Elétricos 2030: Quatro EV até ao Fim da Década

Publicado: 08/06/2026
Dacia: 4 Carros Elétricos até 2030, o 1.º Abaixo de 18.000€

Quatro elétricos até 2030: o plano da Dacia para tornar o EV acessível

A Dacia vai lançar quatro carros 100% elétricos até 2030. E o primeiro custa menos de 18.000€. Para uma marca que construiu a reputação a vender carros simples e baratos, este é o passo mais importante da sua história — e chega numa altura em que o preço continua a ser a maior barreira à compra de um elétrico em Portugal.

O plano faz parte da estratégia "futuREady" do Renault Group e a lógica é a de sempre na Dacia: baterias modestas, plataformas já amortizadas e equipamento reduzido ao essencial. Nada de autonomias gigantes nem ecrãs a perder de vista. O objetivo é que os carros elétricos da Dacia em 2030 representem cerca de 67% das vendas da marca, contra os ~25% de hoje. Vamos ver o que está a caminho.

O sucessor do Dacia Spring chega já em 2026

O primeiro dos quatro é um citadino elétrico que a imprensa francesa já trata por "Evader", embora a Dacia ainda lhe chame oficialmente "modelo sem nome". É ele que vai substituir gradualmente o Dacia Spring, atualmente fabricado na China.

As novidades importantes são duas. Primeiro, deixa de ser um carro chinês: passa a ser produzido na fábrica de Novo Mesto, na Eslovénia, sobre a plataforma AmpR Small (a mesma do novo Renault Twingo E-Tech). Foi desenvolvido em menos de 16 meses. Segundo, ganha um formato de pequeno SUV com menos de 4 metros, mais ao gosto do mercado atual do que a silhueta de utilitário do Spring.

Os números essenciais:

EspecificaçãoValor
Bateria27 kWh
Autonomia~240 km (WLTP)
Comprimentomenos de 4 metros
Preço de partida~18.000€
Preço com incentivos~13.000€
ApresentaçãoSalão de Paris, outono de 2026

A bateria de 27 kWh é deliberadamente pequena. Traduz-se em cerca de 240 km de autonomia — não chega para fazer Lisboa-Porto de uma vez, mas é mais do que suficiente para a utilização diária de quem vive e trabalha numa cidade. E é exatamente esse o ponto: a Dacia não está a tentar vender-lhe um carro para todas as viagens, está a vender-lhe um segundo carro elétrico que não destrói o orçamento.

Pequeno SUV elétrico da Dacia derivado do Renault Twingo E-Tech, em formato citadino
O sucessor do Spring adota um formato de pequeno SUV, derivado do Renault Twingo E-Tech.

Quanto custa na prática em Portugal

O preço de partida de ~18.000€ já o coloca entre os elétricos novos mais baratos que vai poder comprar. Com os incentivos à compra de elétricos — que em Portugal têm variado de ano para ano — o valor pode descer para a casa dos 13.000€. A isto junta-se a isenção de ISV de que os elétricos beneficiam e um IUC reduzido, o que torna o custo de posse bastante mais leve do que o de um citadino a gasolina equivalente.

Se está à espera do sucessor do Dacia Spring por uma questão de preço, vale a pena acompanhar: a revelação é já no outono de 2026.

O Dacia Sandero elétrico chega em 2027 — mas com uma surpresa antes

O Sandero foi o carro de passageiros mais vendido na Europa em 2024 e em 2025. A quarta geração, prevista para cerca de 2027-2028, vai ser a mais completa de sempre em termos de motorizações: gasolina, GPL, híbrido e, pela primeira vez, 100% elétrico.

Há aqui um pormenor que apanha muita gente de surpresa. Antes da versão elétrica, o Sandero vai estrear a hibridização ligeira (mild-hybrid) — uma primeira vez na carreira do modelo. Ou seja, a eletrificação do Sandero faz-se por etapas, e o Dacia Sandero elétrico só chega depois desse passo intermédio.

Tecnicamente, há dois cenários em cima da mesa: eletrificar a atual plataforma CMF-B ou adotar a arquitetura AmpR Small do novo Renault 5 E-Tech. As duas partilham cerca de 70% dos componentes, por isso a decisão é mais de custo do que de engenharia. A CEO da Dacia, Katrin Adt, foi direta sobre o posicionamento: "vai continuar a ser o campeão da relação qualidade-preço".

Os outros dois elétricos: um mini de 3 metros e um C-segment

Os dois modelos restantes do plano estão menos definidos, mas dão a medida da ambição.

  • Mini urbano derivado do conceito Hipster: apenas 3 metros de comprimento, 4 lugares e cerca de 100 km de autonomia. Está ligado à futura classe regulatória europeia M1E para "pequenos elétricos" e não deve chegar à produção antes do final da década. Um indicador de preço apontado para o conceito anda à volta dos 14.990€.
  • Um elétrico de segmento C: maior e mais caro, ligado ao novo SUV Bigster e ao crossover-carrinha Striker (que poderá usar um prolongador de autonomia, ou range extender). Aponta a buyers dispostos a gastar mais de 30.000€.

A tabela completa dos quatro:

ModeloSegmentoBateriaAutonomiaPreço (desde)Lançamento
Evader (sucessor do Spring)A/B SUV27 kWh~240 km~18.000€ (~13.000€ c/ incentivos)2.º semestre 2026
Sandero 4 elétricoBn/dn/d"campeão da relação qualidade-preço"~2027-2028
Mini (base Hipster)Apequena~100 km~14.990€ (indicação do conceito)final da década
Elétrico segmento C (Striker/Bigster)Cn/d (range extender)n/dmais de 30.000€até 2030

Nota sobre os nomes: "Evader", "Sandster" e "Striker" são designações que aparecem na imprensa francesa, mas nem todas estão confirmadas pela Dacia. Trate-os como provisórios.

Perguntas Frequentes

A Dacia vai lançar quatro modelos 100% elétricos até 2030, no âmbito do plano "futuREady" do Renault Group. O objetivo é que os elétricos e eletrificados representem cerca de 67% das vendas da marca em 2030, contra os ~25% atuais. Os quatro modelos abrangem desde um pequeno citadino até um SUV de segmento C.

O primeiro dos quatro elétricos — o sucessor do Dacia Spring, tratado pela imprensa francesa por "Evader" — é apresentado no Salão de Paris no outono de 2026, com lançamento previsto no 2.º semestre de 2026. Será produzido na Eslovénia (e já não na China), sobre a plataforma AmpR Small do novo Renault Twingo E-Tech. As datas concretas de chegada a Portugal dependerão do calendário comercial da Dacia para o nosso mercado.

O sucessor do Spring deverá partir de cerca de 18.000€, valor que o coloca entre os elétricos novos mais baratos do mercado. Com os incentivos à compra de elétricos em Portugal, o preço pode descer para a casa dos 13.000€. Junta-se ainda a isenção de ISV e um IUC reduzido, que tornam o custo de posse mais leve do que o de um citadino a gasolina equivalente.

O citadino elétrico monta uma bateria de 27 kWh, deliberadamente pequena, que se traduz em cerca de 240 km de autonomia em ciclo WLTP. Não chega para fazer Lisboa-Porto de uma vez, mas é suficiente para a utilização diária urbana — exatamente o uso para o qual foi pensado. A aposta da Dacia é em baterias modestas que mantenham o preço baixo, em vez de autonomias gigantes.

A quarta geração do Sandero está prevista para cerca de 2027-2028 e será a primeira a oferecer versão 100% elétrica, a par de gasolina, GPL e híbrido. Antes do elétrico, o Sandero estreia a hibridização ligeira (mild-hybrid), pelo que a versão elétrica chega depois desse passo intermédio. Sendo o carro mais vendido na Europa em 2024 e 2025, a CEO Katrin Adt garante que continuará a ser "o campeão da relação qualidade-preço", o que o torna uma opção a vigiar para quem procura um elétrico acessível.

Porque é que a Dacia consegue o que os outros não conseguem

A filosofia da Dacia é o oposto da corrida tecnológica do resto da indústria. Em vez de baterias maiores e mais autonomia, a marca aposta em baterias modestas, plataformas já pagas e equipamento limitado ao essencial. O resultado, segundo a própria, é uma vantagem de custo de cerca de 15% face à concorrência.

E os números de fidelização ajudam a explicar a confiança da marca: mais de 70% dos compradores europeus da Dacia voltam a comprar Dacia, e 65% dos clientes que chegam pela primeira vez à marca vêm de fora do Renault Group. São pessoas que querem um carro que funcione, sem pagar pelo que não usam.

Para o comprador português, a leitura é simples. Os carros elétricos baratos em Portugal continuam a ser poucos, e a Dacia está a posicionar-se exatamente nessa lacuna. Se o seu travão para passar a elétrico sempre foi o preço, os próximos quatro anos vão dar-lhe opções que hoje não existem. O primeiro teste real é já no outono de 2026, em Paris — e vale a pena ficar atento aos preços finais para Portugal.