Comprar Tesla Model S e Model X usado: motor traseiro, bateria e Supercharging

Publicado: 20/10/2026
Comprar Tesla Model S usado: motor LDU, bateria e SC01

Comprar Tesla Model S usado: um topo de gama que saiu de cena

Há dez anos, um Tesla Model S era o carro elétrico que toda a gente queria e quase ninguém podia pagar. Hoje aparece nos classificados a preços de familiar comum, e o Model X segue o mesmo caminho. Quem pensa em comprar Tesla Model S usado encontra espaço de sobra, acelerações de desportivo e uma rede de Superchargers que continua a ser das melhores da Europa.

Só que estes carros já têm idade. O motor traseiro de muitas versões tem um defeito conhecido, a bateria precisa de ser avaliada e o famoso Supercharging gratuito vitalício quase nunca passa para o novo dono. Vale a pena saber tudo isto antes de assinar.

Há ainda um contexto novo. Desde julho de 2025 a Tesla deixou de aceitar encomendas do Model S e do Model X na Europa, vendendo apenas carros em stock, e Elon Musk anunciou o fim da produção de ambos no segundo trimestre de 2026, com as linhas de Fremont reconvertidas para o robô Optimus. Daqui em diante, no nosso mercado, Model S e Model X só existem em segunda mão.

Tesla Model S usado: preço em Portugal e o que o faz variar

Dois carros do mesmo ano podem ter valores muito diferentes, e quase sempre por razões que não se veem na fotografia. Antes de comparar anúncios, convém perceber o que pesa no preço de um Tesla Model S usado ou de um Model X:

  • Versão e bateria. Um S60 ou S70 não vale o mesmo que um 90D ou um P100D. A capacidade nominal da bateria define a autonomia de partida.
  • Histórico do motor traseiro. Um carro com a unidade motriz já substituída, revista ou recondicionada é, na prática, um carro com o maior risco mecânico resolvido.
  • Estado de saúde da bateria (SoH). Um relatório de diagnóstico vale dinheiro na negociação, para os dois lados.
  • Supercharging gratuito transferível. Os carros com o código SC01 confirmado são raros e o vendedor sabe disso.
  • Ano de fabrico. Os carros posteriores a 2016 escapam a vários problemas de juventude.

Não temos aqui uma tabela de preços médios por ano: os valores variam muito com estes fatores e com a quilometragem. O mais útil é filtrar os anúncios de Model S e Model X por ano e versão e comparar carros com o mesmo tipo de motor e bateria, usando os pontos abaixo como argumentos de negociação.

O ponto fraco: avaria no motor traseiro do Tesla Model S (LDU)

O problema mais sério destes carros tem nome técnico: Large Drive Unit, ou LDU. É o grande motor traseiro de indução, sem ímanes permanentes, que equipou o Model S e o Model X durante anos. A mesma unidade foi fornecida à Toyota para o RAV4 EV e à Mercedes para o Classe B Electric Drive (B250e), que partilham o defeito.

Como a fuga de líquido de refrigeração destrói o motor

Para arrefecer o rotor, a Tesla fez passar líquido de refrigeração pelo interior do próprio veio. Com o calor e as rotações elevadas, o vedante do rotor acaba por se gastar. Como a carcaça do motor não tem dreno para o exterior, o glicol começa a infiltrar-se na zona do estator e do inversor sem que nada o denuncie por fora.

O líquido de refrigeração da Tesla conduz eletricidade. Quando molha os enrolamentos e as ligações do inversor, provoca uma falha de isolamento entre a alta tensão e a massa. O carro entra em modo de segurança, mostra um alerta no painel e recusa-se a andar.

Que versões usam o motor LDU

A lista de versões afetadas publicada pela EV Clinic, oficina especializada que trabalha estes motores todas as semanas, abrange carros de 2013 a 2022:

TraçãoVersões listadas
Traseira (RWD)S60, S70, S75, S85, S90, P85, P90
Integral Performance (4x4)P85D, P90D, P100D

As versões Performance de tração integral usam o LDU atrás. As versões de tração integral sem P (70D, 75D, 85D, 90D, 100D) não aparecem nesta lista, mas não há confirmação nas fontes de que estejam livres do problema. Se o carro que lhe interessa é uma destas, peça a um especialista que confirme que motor traseiro tem montado.

Sintomas e códigos de avaria

O primeiro sinal costuma ser auditivo. O líquido lava a massa lubrificante dos rolamentos cerâmicos do rotor, que giram até 22.000 rpm, e aparece um zumbido ou assobio que sobe de tom com a velocidade, independentemente do acelerador. Outros sinais a que deve estar atento:

  • rangido em andamento que não muda em curva e não vem da suspensão;
  • indicador PRND a vermelho ao engrenar e carro imobilizado;
  • códigos de falha de isolamento BMS_w142, BMS_w158 ou BMS_w172.

Num test drive, desligue o rádio e preste atenção ao som acima dos 80 km/h. Um zumbido crescente é razão para pedir diagnóstico antes de qualquer negócio.

Quanto custa reparar o motor traseiro do Tesla Model S

Na Tesla, a solução habitual é trocar a unidade motriz completa. A oficina neerlandesa Tesland fala num custo que "frequentemente ultrapassa os 5.000 €"; um proprietário relatou num fórum um orçamento de 6.700 €. As oficinas independentes oferecem alternativas bem mais baratas:

SoluçãoPreçoGarantia
Substituição da unidade na Teslamais de 5.000 €Tesla
Coolant delete preventivo (Tesland)1.850 € com IVA2 anos ou 40.000 km
Reparação com coolant delete, Basic (Tesland)3.250 € com IVA1 ano ou 20.000 km
Reparação com coolant delete, Premium (Tesland)4.250 € com IVA2 anos ou 40.000 km
Kit de vedante em grafite e rolamentos (EV Clinic)870 a 1.000 €—
Recondicionamento completo do LDU (EV Clinic)cerca de 2.800 €2 anos, km ilimitados

Note que a unidade pode pesar até 135 kg e tem de ser retirada do carro, por isso a mão de obra não é trivial. Se o motor já falhou, a Tesland aconselha transportar o carro em reboque para não agravar os danos no inversor.

Coolant delete ou vedante em grafite: os especialistas não se entendem

O coolant delete bloqueia o canal de refrigeração do rotor com uma placa de alumínio ou um bypass em inox. O estator e o inversor continuam arrefecidos, mas o líquido deixa de passar pelo centro do motor, pelo que deixa de haver fuga possível. É uma ideia próxima da "Revision U", o LDU revisto que a Tesla introduziu em 2022 e que também corta a passagem de líquido pelo rotor.

A EV Clinic, que vende a alternativa, discorda com veemência. Defende que sem arrefecimento interno o calor do rotor passa para os enrolamentos do estator, que não têm sensor de temperatura, e diz ter recebido motores com coolant delete destruídos por volta dos 20.000 km em climas quentes. Também afirma que a Tesla reviu o LDU mais de uma dúzia de vezes e que a Revision U não é uma solução definitiva. A sua proposta: maquinar o veio, montar um vedante mecânico em grafite e trocar os rolamentos.

Convém ler as duas posições sabendo que vêm de oficinas concorrentes, cada uma a defender o seu serviço. Para um comprador em Portugal, onde os verões são quentes, o argumento do calor merece atenção, mas não há dados independentes que deem razão definitiva a nenhum dos lados. O conselho prático é comum: pergunte ao vendedor exatamente o que foi feito à unidade motriz e peça a fatura.

Tesla Model S usado visto de trás em estrada
O motor traseiro é o componente a investigar antes de comprar um Model S.

Degradação da bateria do Tesla Model S: menor do que se teme

Aqui as notícias são boas. A L'Automobile Magazine considera que as baterias do Model S e do Model X "aguentam bem" a passagem dos anos, com alguns problemas apontados aos packs de 85 kWh. Os dados de longo prazo confirmam:

  • Um estudo da Plug In America com cerca de 500 Model S indicou à volta de 90% da capacidade original até cerca de 240.000 km.
  • Um P85 com 232.442 milhas (perto de 374.000 km) mantinha 83% da autonomia: 220 de 265 milhas.
  • A Voltest, empresa que testa baterias para concessionários, diz que alguns dos melhores resultados de retenção em carros de muitos quilómetros vêm precisamente de Model S e Model X antigos.
  • Em Teslas com química NMC, a Voltest vê tipicamente um estado de saúde entre o final dos 70% e o início dos 80% depois das 200.000 milhas, cerca de 320.000 km.

A explicação está na refrigeração líquida da bateria, que faz toda a diferença face a elétricos antigos arrefecidos a ar. A perda é maior nos primeiros dois ou três anos e depois abranda bastante.

Ainda assim, dois carros com a mesma quilometragem podem estar em estados muito diferentes, conforme tenham vivido de carregamentos rápidos a 100% ou de carregamentos em casa. Exija um teste de saúde da bateria antes de comprar, e não se fie apenas na autonomia que o painel mostra.

Supercharging gratuito transferível: como confirmar o código SC01

É o argumento que mais aparece nos anúncios e o que mais desilusões causa. A Tesla ofereceu várias formas de carregamento gratuito ao longo dos anos, mas só uma passa para o próximo dono:

Código de opçãoO que significa
SC00Sem Supercharging
SC01Supercharging gratuito ilimitado, transferível
SC04Supercharging pago
SC05Gratuito ilimitado, apenas para o dono atual
SC06Gratuito, mas limitado no tempo

A versão transferível acabou no início de 2017, por isso só a encontra em carros de 2012 a início de 2017. O Model S 40 nunca a teve. As promoções de carregamento gratuito para Model S e Model X novos no final de 2024 e início de 2025 ficaram ligadas à conta do primeiro proprietário e não passam com o carro.

Mesmo um carro SC01 pode perder a regalia pelo caminho. Se passou pelo stock de usados da Tesla, o benefício é normalmente retirado, e há casos de remoção em vendas por comerciantes ou leilões. A compra a um particular é a melhor hipótese de o manter. Antes de pagar mais por este argumento, peça à Tesla, com o VIN, a confirmação por escrito de que o benefício se transfere.

Ecrã MCU, puxadores e outros pontos a verificar

O Model S foi o primeiro Tesla de grande série e os primeiros anos tiveram problemas de juventude. O ecrã central de 17 polegadas (MCU) falhou com frequência nos carros mais antigos, e os puxadores das portas retráteis também deram dores de cabeça. Num test drive, abra e feche todas as portas várias vezes e use o ecrã durante alguns minutos.

Interior do Tesla Model S com o ecrã tátil central de 17 polegadas
O ecrã de 17 polegadas é um dos pontos a testar nos Model S mais antigos.

Perguntas Frequentes

O Model S é a berlina, com melhor eficiência e mais oferta no mercado de usados; o Model X é o SUV, com configurações até 7 lugares, mas portas traseiras tipo asa de falcão que acrescentam mecânica a verificar. Os dois partilham os mesmos pontos críticos: o motor traseiro LDU nas versões afetadas, a saúde da bateria e os códigos de Supercharging (só o SC01 é transferível). A escolha deve depender do espaço de que precisa e do histórico documentado de cada carro, não do modelo em si.

Sim. A lista da EV Clinic inclui Model S e Model X de 2013 a 2022, e no Model X são sobretudo as versões Performance P90D e P100D que montam o LDU atrás. A fuga de glicol pelo vedante do rotor provoca falhas de isolamento (BMS_w142, BMS_w158, BMS_w172) e a substituição na Tesla passa frequentemente os 5.000 €. Oficinas independentes reparam a partir de cerca de 870 a 1.000 € (kit de vedante) ou 1.850 € (coolant delete preventivo, com IVA).

Pode valer, porque a bateria é dos componentes que melhor envelhece: dados da Plug In America com cerca de 500 Model S apontam para cerca de 90% da capacidade até 240.000 km, e um P85 com perto de 374.000 km mantinha 83% da autonomia. A Voltest vê tipicamente 77 a 83% de estado de saúde em Teslas NMC com cerca de 320.000 km. O risco real num carro de muitos quilómetros está no motor traseiro, por isso exija um teste de SoH e as faturas da unidade motriz antes de comprar.

A Tesla dá 8 anos de garantia à bateria e à unidade motriz, contados a partir da primeira entrega, e essa cobertura acompanha o carro quando muda de dono. Na prática, só os Model S e Model X mais recentes ainda estão dentro do prazo, o que os torna mais seguros face ao risco do LDU. Confirme com a Tesla, através do VIN, a data de início e os limites de quilometragem da garantia antes de fechar negócio.

Não por encomenda: desde julho de 2025 a Tesla deixou de aceitar encomendas do Model S e do Model X na Europa, vendendo apenas unidades em stock. Elon Musk anunciou o fim da produção de ambos no segundo trimestre de 2026, com as linhas de Fremont reconvertidas para o robô Optimus. Daqui em diante, o mercado português destes modelos é praticamente só de usados, beneficiando da isenção de ISV e IUC dos elétricos.

Que ano de Tesla Model S usado comprar

A recomendação das fontes é clara: prefira carros posteriores a 2016, que já escapam à maioria dos problemas iniciais. Quem tiver orçamento para um modelo de 2023 ou mais recente beneficia da Revision U do motor traseiro, que segundo a L'Automobile Magazine resolve a fuga de líquido, embora a EV Clinic conteste que seja uma solução definitiva.

Antes de fechar negócio, leve esta lista:

  1. Histórico da unidade motriz traseira: original, substituída pela Tesla, Revision U, coolant delete ou recondicionada? Com faturas.
  2. Teste de saúde da bateria (SoH) feito por uma oficina ou serviço independente.
  3. Confirmação do código de Supercharging junto da Tesla, se o anúncio o mencionar.
  4. Ruído do motor acima dos 80 km/h e ausência de alertas de isolamento no painel.
  5. Funcionamento do ecrã MCU e dos puxadores das portas.
  6. Garantia restante: a Tesla dá 8 anos de garantia à bateria e à unidade motriz, por isso alguns carros mais recentes ainda podem estar cobertos. Confirme a data de início e os limites com a Tesla.

Do lado fiscal, a vida é simples: os elétricos estão isentos de ISV e de IUC em Portugal, o que torna o custo de posse de um Model S ou Model X usado bastante previsível.

Um Model S ou Model X bem escolhido continua a ser um dos elétricos mais espaçosos e rápidos que se compram por este dinheiro. O segredo é tratar o motor traseiro e a bateria como os dois itens que definem o valor do carro e pagar pelo histórico, não pela promessa de carregamento grátis.