
A Chery, dona das marcas Omoda, Jaecoo e Lepas, assinou um acordo para produzir carros na fábrica da Nissan em Sunderland, no Reino Unido, a partir do ano fiscal de 2027. É a primeira vez que uma marca chinesa monta veículos em larga escala em solo britânico — e faz parte de uma estratégia muito maior de produção da Chery na Europa, com consequências diretas para o preço e a disponibilidade dos Omoda e Jaecoo que já chegam a Portugal.
O acordo entre a Nissan e a Chery International UK é, para já, um memorando de entendimento não vinculativo, anunciado a 3 de junho de 2026. Na prática, a Nissan vai fabricar os carros da Chery na sua linha de produção atualmente parada — a chamada Line One. A fábrica continua 100% da Nissan e os trabalhadores mantêm-se nos quadros da Nissan. A Chery não monta nada sozinha: encomenda a produção a quem já tem a fábrica a meio gás.
A razão é simples e tem nome: tarifas. A União Europeia aplica aos carros elétricos da Chery uma sobretaxa de 20,7% — e isto soma-se ao direito aduaneiro normal de 10%. Importar elétricos da China para a Europa ficou caro. Produzir cá dentro contorna grande parte desse problema.
Há um segundo fator, mais técnico mas igualmente importante. A partir de 2027, as regras de origem pós-Brexit entre a UE e o Reino Unido apertam. Para um carro circular sem direitos aduaneiros entre os dois lados, tem de ter uma percentagem mínima de conteúdo local. Montar em Sunderland ajuda a Chery a cumprir esses limites. O próprio presidente da Chery, Ke Chuandeng, já tinha sido claro: "não acho realista importar carros da China para sempre".
Sunderland é a maior fábrica de automóveis do Reino Unido. Emprega cerca de 6.000 pessoas e produziu 273.322 veículos em 2025 — cerca de metade da sua capacidade máxima, que ronda os 600.000 carros por ano. Por outras palavras: havia muita linha de montagem parada.
Para a Nissan, o negócio resolve um problema. A marca japonesa fechou o ano fiscal de 2025 com um prejuízo líquido de 533,1 mil milhões de ienes (cerca de 3,53 mil milhões de dólares), o segundo ano consecutivo de perdas pesadas. Concentrou a produção do Leaf, do Qashqai e do Juke na Line Two e libertou a Line One para a Chery. É uma forma de pôr a fábrica a render sem despedir ninguém.

No Reino Unido, as marcas da Chery — Jaecoo, Omoda, Lepas e a própria Chery — somam já perto de 7% do mercado. Só a Chery valeu cerca de 6% das matrículas nos primeiros quatro meses de 2026. E há um dado que diz tudo: pela primeira vez, a quota combinada das marcas chinesas ultrapassou a das marcas japonesas tradicionais.
Sunderland é apenas uma peça. A Chery tem uma joint venture com a espanhola Ebro numa fábrica perto de Barcelona — antiga unidade da Nissan, com capacidade até 200.000 unidades por ano — onde já arrancou a montagem-piloto. O objetivo declarado é chegar a pelo menos 50% de conteúdo não-chinês para reduzir a exposição às tarifas. Há ainda conversações para produzir a marca Lepas numa fábrica da Volkswagen na Alemanha. E estão previstos dois SUV urbanos, o Omoda 1 e o Omoda 2 (com cerca de 4 metros), para 2027 e 2028.
Aqui está o que interessa a quem está a olhar para um Omoda ou um Jaecoo num stand português.
Preços potencialmente mais estáveis. Os carros produzidos na Europa não pagam a sobretaxa de 20,7% sobre elétricos. Isso não significa descontos automáticos amanhã — mas tira pressão de cima dos preços e reduz o risco de subidas ligadas a novas tarifas. Para os modelos elétricos da Chery, é a diferença entre competir de igual para igual ou partir sempre com uma desvantagem de custo.
Prazos de entrega mais curtos. Um carro montado em Sunderland ou em Barcelona chega a Portugal muito mais depressa do que um que sai de um porto chinês. Menos tempo de transporte marítimo, menos exposição a atrasos logísticos.
Mais confiança na marca. Para muitos compradores portugueses, "fabricado na Europa" pesa na decisão. Saber que o Omoda ou o Jaecoo saiu de uma linha que durante anos montou Nissans britânicos dá outra garantia — sobretudo a quem ainda tem reservas com a etiqueta "made in China".
Atenção a um ponto: ainda não há modelos confirmados para Sunderland. O acordo é um memorando não vinculativo, em fase inicial, e a produção só arranca em 2027. Os Omoda e Jaecoo que compra hoje em Portugal continuam a vir da China.
A Chery assinou um memorando não vinculativo para a Nissan produzir os seus carros na fábrica de Sunderland, no Reino Unido, a partir do ano fiscal de 2027, na linha de montagem atualmente parada (Line One). Em paralelo, a Chery já arrancou com a montagem-piloto numa fábrica perto de Barcelona, em Espanha, em joint venture com a Ebro, com capacidade até 200.000 unidades por ano. Para já, os Omoda e Jaecoo vendidos em Portugal continuam a ser importados da China.
Produzir na Europa permite evitar a sobretaxa de 20,7% que a União Europeia aplica aos elétricos da Chery, somada ao direito aduaneiro normal de 10%. Isso não significa descontos automáticos a curto prazo, mas tira pressão dos preços e reduz o risco de subidas ligadas a novas tarifas. Para os modelos elétricos da Chery, é a diferença entre competir de igual para igual e partir sempre com uma desvantagem de custo.
A produção em Sunderland só deverá arrancar no ano fiscal de 2027 e ainda não há modelos confirmados para essa fábrica, já que o acordo é um memorando em fase inicial. A montagem em Barcelona está mais avançada, em fase piloto. Até lá, os Omoda e Jaecoo que compra hoje num stand português continuam a vir da China.
A produção europeia traz três vantagens práticas: preços potencialmente mais estáveis sem a sobretaxa de 20,7%, prazos de entrega mais curtos do que um carro vindo de um porto chinês, e maior confiança de quem valoriza o rótulo "fabricado na Europa". As marcas da Chery já somam cerca de 7% do mercado no Reino Unido, ultrapassando pela primeira vez as marcas japonesas. Quando os primeiros modelos europeus chegarem aos stands, vale a pena comparar preço e prazo com os atuais.
O principal motivo são as tarifas: importar elétricos da China para a UE acarreta uma sobretaxa de 20,7% além dos 10% de direito aduaneiro. A partir de 2027, as regras de origem pós-Brexit entre a UE e o Reino Unido também apertam, exigindo uma percentagem mínima de conteúdo local para circulação sem direitos. A Chery tem como objetivo atingir pelo menos 50% de conteúdo não-chinês para reduzir a exposição às tarifas, e o seu presidente já admitiu que "não é realista importar carros da China para sempre".
A jogada da Chery não é um caso isolado. A Ford, a Stellantis e a Volkswagen estão, segundo vários relatos, a estudar acordos de produção semelhantes, e a SAIC — dona da MG — planeia uma fábrica de 200 milhões de euros em Espanha para 2028. A produção de automóveis no Reino Unido caiu para o nível mais baixo desde 1953, e são os fabricantes chineses que estão a encher esse espaço.
Para o mercado português, o sinal é claro: as marcas chinesas vieram para ficar e estão a deixar de ser apenas importadores. Quando os primeiros Omoda e Jaecoo "europeus" chegarem aos stands, vale a pena comparar preço e prazo com os modelos atuais. É aí que se vai ver, em euros, o que esta mudança realmente trouxe.