Carros elétricos em agosto de 2026: quota recorde na Europa e Portugal nos 36%

Publicado: 04/10/2026
Carros elétricos agosto 2026: quota recorde, Portugal a 36%

Carros elétricos em agosto de 2026: uma quota recorde na Europa

27,7%. Foi esta a fatia dos carros 100% elétricos nas matrículas de ligeiros de passageiros da União Europeia em agosto de 2026, segundo a ACEA — a quota mais alta de sempre, contra 17,8% no mesmo mês de 2025. Na prática, um em cada quatro carros novos vendidos na UE já não tem motor de combustão.

Portugal foi mais longe. Os dados da ACAP mostram que os carros elétricos em agosto de 2026 chegaram aos 36,1% do mercado nacional: mais de um em cada três carros novos matriculados cá foi um elétrico puro. São mais 8,4 pontos percentuais do que a média europeia, num mês em que a própria Europa bateu recordes.

Os números de agosto na União Europeia

Foram matriculados 708.211 carros novos na UE em agosto, mais 4,5% do que um ano antes. Desses, 196.486 eram elétricos (BEV). O salto face aos 120.797 de agosto de 2025 é de 62,7% — o mercado cresceu pouco, os elétricos cresceram muito.

Os híbridos plug-in (PHEV) também subiram, mas a um ritmo bem mais calmo: 78.426 unidades, 11,1% de quota e +10,8% em termos homólogos. Somando BEV e PHEV, quase 39% dos carros novos da UE em agosto tinham uma ficha para ligar à corrente.

Convém não exagerar a leitura. Os híbridos convencionais e mild hybrid continuam a ser a motorização mais vendida, com cerca de um terço das matrículas de agosto. Os elétricos estão a subir depressa, mas ainda não são a primeira escolha do comprador europeu.

Motorização (UE, agosto 2026)UnidadesQuotaVariação homóloga
100% elétrico (BEV)196.48627,7%+62,7%
Híbrido plug-in (PHEV)78.42611,1%+10,8%
Híbrido (HEV + MHEV)—cerca de 1/3—
Mercado total708.211100%+4,5%

Alemanha e França puxam pela procura

Em volume, a Alemanha lidera com 68.930 elétricos matriculados em agosto (+75,1%). A França vem a seguir com 36.159 unidades e o crescimento mais impressionante entre os grandes mercados: +112,8%. A Dinamarca fecha o pódio com 13.887 (+54,6%).

Entre os crescimentos que a ACEA destaca estão ainda a Bélgica (+43,9%), os Países Baixos (+43,5%) e Portugal, com +65,2% — acima da média da UE.

Alargando a conta à EFTA e ao Reino Unido, a Europa matriculou 243.207 elétricos em agosto, uma quota de 29% (+52,2%). A Noruega, como de costume, joga noutro campeonato: 98,7% dos carros novos vendidos lá em agosto eram elétricos.

Quota de carros elétricos em Portugal em 2026: 36,1% em agosto

5.079 carros 100% elétricos. Foi quanto se matriculou em Portugal em agosto de 2026, mais 65,2% do que em agosto de 2025, num mercado total de 14.086 ligeiros de passageiros (+8,4%). A quota de 36,1% é um salto considerável face ao ano passado, quando, pelas nossas contas a partir do crescimento divulgado, rondava os 24% (valor aproximado, não publicado pela ACAP).

Também é um salto face ao início do verão. Em junho, a quota dos elétricos em Portugal tinha ficado nos 28,7%. Dois meses depois, está mais de sete pontos acima.

Os eletrificados no seu conjunto (elétricos, plug-in e híbridos) somaram 10.391 unidades em agosto, +20,5%. Dito de outra forma: quase três em cada quatro carros novos vendidos em Portugal no mês tinham algum tipo de eletrificação.

Acumulado de janeiro a agosto: 26,8% contra 21,7%

Um mês bom pode ser um acaso. Oito meses, não. Entre janeiro e agosto de 2026 foram matriculados em Portugal 169.323 ligeiros de passageiros (+9,5%), dos quais 45.388 elétricos (+43,1%). A quota acumulada de elétricos é de 26,8% — contra 21,7% na média da UE.

IndicadorPortugalUnião Europeia
Quota BEV em agosto 202636,1%27,7%
Quota BEV em agosto 2025cerca de 24% (aprox.)17,8%
Elétricos matriculados em agosto 20265.079196.486
Crescimento homólogo em agosto+65,2%+62,7%
Quota BEV janeiro-agosto 202626,8%21,7%
Elétricos janeiro-agosto 202645.388 (+43,1%)1.641.333 (+44,9%)
Mercado total janeiro-agosto169.323 (+9,5%)+5,3%

Há ainda um dado da ACAP que diz muito sobre o nosso mercado: 75,6% das matrículas do ano foram de veículos com energias alternativas. O carro a gasolina ou gasóleo "puro" já é minoria em Portugal.

Ranking de países: onde fica Portugal nos carros elétricos na Europa

Com base nos dados da ACEA para janeiro-agosto, compilados pela InsideEVs Itália para 31 países europeus (UE, EFTA e Reino Unido), Portugal está em 11.º lugar em quota de elétricos e em 12.º lugar em volume.

PosiçãoPaísQuota BEV (jan-ago 2026)
1Noruega97,8%
2Dinamarca80,6%
3Finlândia48,7%
4Islândia46,4%
5Suécia41,9%
6Malta39,8%
7Países Baixos39,3%
8Bélgica37,8%
9Luxemburgo30,3%
10França29,9%
11Portugal26,8%
12Irlanda26,3%
13Alemanha26,2%
14Reino Unido25,6%
15Áustria25,2%
19Espanha10,2%
23Itália8,1%

À nossa frente estão sobretudo países nórdicos e mercados pequenos e ricos do Benelux. Atrás ficam a Alemanha e o Reino Unido — os dois maiores mercados de elétricos da Europa em volume. E a comparação com os vizinhos do sul é gritante: a quota portuguesa é mais do dobro da espanhola (10,2%) e mais do triplo da italiana (8,1%).

Em números absolutos, os 45.388 elétricos matriculados em Portugal colocam-nos logo atrás da Áustria (53.449) e à frente da Suíça (37.631). Nada mau para um mercado com a nossa dimensão.

Os elétricos mais vendidos na Europa em agosto de 2026

O Tesla Model Y voltou a ser o carro elétrico mais vendido na Europa em agosto, mas o Skoda Elroq ficou perto. Atenção a um pormenor: este top 10 (dados Dataforce, via Automobile Propre) cobre a UE, a EFTA e o Reino Unido — não apenas a UE.

#ModeloMatrículas em agosto 2026Variação homóloga
1Tesla Model Y10.281+20,1%
2Skoda Elroq9.289+44,6%
3BMW iX16.635+24,2%
4BMW iX36.444Novo modelo
5Volkswagen ID.46.358+28,4%
6Tesla Model 36.259-3,4%
7Skoda Enyaq5.693+33,0%
8Renault 5 E-Tech5.533+34,2%
9Mercedes CLA5.335+494%
10Mercedes GLC5.312Novo modelo

Salta à vista a presença das marcas alemãs e do grupo Volkswagen, com dois estreantes de peso: o novo BMW iX3 e o Mercedes GLC elétrico. O Tesla Model 3 é o único do top 10 a recuar. O Renault 5 é o modelo mais acessível da lista, o que diz muito sobre a procura por elétricos compactos a preços mais razoáveis.

Quanto a Portugal, não existe ainda um ranking fiável dos elétricos mais vendidos em agosto, modelo a modelo. Preferimos não adivinhar.

Marcas chinesas ganham terreno

Olhando às marcas, o avanço chinês é claro. Entre janeiro e agosto, a BYD matriculou 177.752 carros na UE (+163%), a SAIC (MG e Maxus) 163.707 (+19,8%), a Chery 116.318 (+250,9%) e a Leapmotor 62.508 (+426,8%). A Tesla, com 142.165 unidades, cresceu 65,9%. Estes valores incluem todas as motorizações — a ACEA não separa elétricos por marca.

Em agosto, os cinco grupos de capital chinês contabilizados pela ACEA passaram de 6,6% para 10,8% do mercado europeu — cerca de um em cada nove carros novos. O número inclui a Volvo, que conta dentro do grupo Geely. Os grupos alemães (Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz) desceram de 41,3% para 39,1%.

Perguntas Frequentes

Em agosto de 2026, os carros 100% elétricos representaram 36,1% das matrículas de ligeiros de passageiros em Portugal (5.079 de 14.086 unidades), segundo a ACAP. No acumulado de janeiro a agosto, a quota é de 26,8% (45.388 elétricos), contra 21,7% na média da União Europeia. Em junho a quota mensal tinha sido de 28,7%, pelo que agosto marca uma subida de mais de sete pontos em apenas dois meses.

Com base nos dados de janeiro a agosto de 2026 para 31 países europeus (UE, EFTA e Reino Unido), Portugal ocupa o 11.º lugar em quota de elétricos (26,8%) e o 12.º em volume (45.388 unidades). Fica à frente da Irlanda (26,3%), da Alemanha (26,2%) e do Reino Unido (25,6%), e com mais do dobro da quota de Espanha (10,2%) e mais do triplo da de Itália (8,1%). A liderança pertence à Noruega (97,8%) e à Dinamarca (80,6%).

O Tesla Model Y foi o elétrico mais vendido na Europa (UE, EFTA e Reino Unido) em agosto de 2026, com 10.281 matrículas (+20,1%). Seguiram-se o Skoda Elroq, com 9.289 unidades (+44,6%), e o BMW iX1, com 6.635 (+24,2%). O Tesla Model 3 foi o único modelo do top 10 a cair (-3,4%), enquanto o novo BMW iX3 e o Mercedes GLC elétrico entraram diretamente para a lista.

Ainda não no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto de 2026, os elétricos atingiram 21,7% do mercado da UE, empatados com a gasolina (21,7%, que caiu de 28%), mas o gasóleo soma mais 7,3%, o que deixa os motores de combustão pura com cerca de 29%. Os híbridos convencionais e mild hybrid continuam a ser a motorização mais vendida, com 36,6% das matrículas do ano.

Os carros 100% elétricos estão isentos de ISV na compra e de IUC anual em Portugal, vantagens que ajudam a explicar uma quota acima da média europeia. Com a gasolina a 2,092 €/litro e o gasóleo a 2,226 €/litro em média na UE em setembro de 2026 (máximos desde 2005), o custo por quilómetro de um elétrico carregado em casa é cada vez mais competitivo. Com 45.388 elétricos novos matriculados só entre janeiro e agosto, a oferta de elétricos usados em Portugal deverá crescer nos próximos anos, alargando a escolha para quem compra em segunda mão.

Porque estão a crescer as vendas de carros elétricos

A EY aponta duas razões para o salto de agosto: os incentivos à mobilidade elétrica em vários países e um dia útil a mais do que em agosto de 2025. Constantin M. Gall, da EY, avisa que o crescimento "é sobretudo impulsionado pelos subsídios" e que pode abrandar quando estes acabarem.

Há um terceiro fator que qualquer condutor português sente no bolso: o combustível. Na semana de 21 de setembro, o preço médio na UE chegou aos 2,092 €/litro na gasolina e 2,226 €/litro no gasóleo — os valores mais altos desde que a Comissão Europeia começou a série, em 2005. Com números destes, o custo por quilómetro de um elétrico carregado em casa torna-se difícil de ignorar.

Em Portugal, somam-se as vantagens fiscais que já conhecemos: os 100% elétricos estão isentos de ISV e de IUC, e continuam a ser a opção mais interessante para frotas de empresa. É um enquadramento que ajuda a explicar porque é que estamos consistentemente acima da média europeia.

O que isto significa para quem vai comprar carro

Mais elétricos novos hoje significa mais elétricos usados amanhã. Com 45.388 unidades matriculadas só nos primeiros oito meses do ano, a oferta de elétricos seminovos em Portugal tende a crescer nos próximos anos — e com ela a escolha e a pressão sobre os preços.

Para quem está a hesitar, os números mostram que o elétrico deixou de ser uma aposta de nicho no nosso mercado. Vale a pena comparar o custo total — compra, energia, impostos e manutenção — com o de um híbrido equivalente antes de decidir.

Setembro será um bom teste. Se a quota portuguesa se mantiver acima dos 30% sem a ajuda de um dia útil extra, o recorde de agosto deixa de parecer um pico e passa a parecer o novo normal.