BYD Ultrapassa a Citroën na Europa: o Que Mudou no Mercado em Maio de 2026

Publicado: 06/07/2026
BYD Ultrapassa a Citroën na Europa em Maio de 2026

Em maio de 2026, uma marca chinesa com sete anos de presença séria na Europa vendeu mais carros do que a Citroën, uma marca francesa com mais de um século de história. A BYD registou 32.380 automóveis na Europa (UE, EFTA e Reino Unido), contra os 31.665 da Citroën. A diferença é de apenas 715 unidades, mas o simbolismo é enorme: pela primeira vez, um construtor chinês superou uma marca generalista europeia de pleno direito num único mês.

BYD ultrapassa Citroën na Europa: os números de maio

Não foi um acaso pontual. As vendas da BYD em maio cresceram 136,6% em termos homólogos — mais do dobro do volume de há um ano. E a Citroën não colapsou: a marca da Stellantis estava até a subir 11,7% no acumulado do ano. Foi simplesmente ultrapassada pela velocidade de cruzeiro da BYD.

No ranking de marcas de maio, a BYD ficou em 14.º lugar, à frente da Citroën (15.º), da SAIC/MG, da Fiat, da Tesla e da Ford. Vale a pena ver a tabela completa do topo da tabela para perceber a companhia em que a BYD entrou:

PosiçãoMarcaVendas maio 2026
11Opel/Vauxhall36.291
12Hyundai37.062
13Geely Group38.146
14BYD32.380
15Citroën31.665
16SAIC/MG30.527
17Fiat29.740
18Tesla28.610
19Chery27.412
20Ford25.290

A leitura do acumulado de janeiro a maio confirma a tendência. A BYD somou 135.307 unidades, um salto de 145,2% face às 55.183 do mesmo período de 2025. Nenhuma marca tradicional cresce a este ritmo — é um número de quem está a entrar num mercado, não de quem o defende.

BYD Seal, um dos modelos elétricos que impulsionam as vendas da marca na Europa
A gama da BYD vai do Dolphin Surf, abaixo dos 21.000€, até berlinas como o Seal.

BYD vs Tesla: o duelo que define o mercado elétrico

O confronto mais interessante não é com a Citroën — é com a Tesla. Em maio, a BYD (32.380) vendeu mais do que a Tesla (28.610), apesar de a marca de Elon Musk ter recuperado 107,9% face a um maio de 2025 muito fraco. No acumulado de cinco meses, a BYD detém 2,3% do mercado combinado, contra os 2,0% da Tesla.

A diferença de estratégia explica muito. A Tesla vende exclusivamente carros 100% elétricos, com um preço médio elevado. A BYD cobre segmentos muito mais baratos — o seu modelo de entrada, o Dolphin Surf, arranca na casa dos 20.000€ — e os seus totais incluem tanto elétricos puros como híbridos plug-in, como o Seal U DM-i. É esta gama larga, de cima a baixo, que permite à BYD chegar a compradores que a Tesla simplesmente não disputa.

Há aqui um ponto importante para quem segue o tema: os números da ACEA juntam todos os tipos de motorização. Os totais chineses já não são uma história puramente elétrica. Parte do crescimento vem de híbridos e até de combustão, sobretudo noutras marcas chinesas.

Marcas chinesas e a quota de mercado recorde na Europa

A BYD não está sozinha. Em maio, o conjunto das marcas chinesas vendeu 121.030 veículos na Europa, um aumento de 97% em termos homólogos, atingindo uma quota recorde de 10,7% do mercado — acima dos 9,8% de abril. Mais de um em cada dez carros novos vendidos na Europa é agora de uma marca de capital chinês.

Olhando para os cinco maiores grupos de capital chinês (SAIC, BYD, Geely, Chery e Leapmotor), o total de janeiro a maio chegou a 619.353 carros, cerca de 10,6% do mercado. Os crescimentos individuais são impressionantes:

  • Chery (Omoda, Jaecoo, Jetour): 122.843 unidades, +316% — boa parte em combustão e híbridos
  • Leapmotor (vendida através da Stellantis): 43.037 unidades, +552,9%, embora a partir de uma base mínima
  • SAIC/MG: 141.490 unidades, +11,6% — ainda a maior vendedora chinesa em volume
  • Geely Group: 176.676 unidades, +6,5% — dominada por Volvo e Polestar, marcas de rosto europeu

No outro lado da balança, várias marcas tradicionais perderam terreno mesmo com o mercado a crescer. A Ford caiu 16,9%, a Nissan 11,4%, a Volkswagen de marca própria recuou 4% e o grupo Renault perdeu 5,4%. O mercado total da UE subiu cerca de 4% no acumulado, com os elétricos a puxar: a quota de bateria passou de 15,3% para 20%, ou seja, um em cada cinco carros novos.

Porque é que a BYD está a crescer tanto — e o que muda em Portugal

Três fatores explicam a expansão. Primeiro, preço: a gama chinesa entra por baixo, em segmentos onde as marcas europeias deixaram de ter resposta acessível. Segundo, oferta: a BYD alargou rapidamente a gama e a rede de concessionários. Terceiro, eletrificação: a aposta forte em elétricos e híbridos plug-in apanha exatamente a parte do mercado que está a crescer.

Há um fator de risco a acompanhar. Bruxelas aplica desde outubro de 2024 direitos anti-subsídios aos elétricos fabricados na China, e estuda agora estender as tarifas aos híbridos. Se isso acontecer, o impacto seria imediato sobre os modelos importados — mas tende a diluir-se à medida que a produção se desloca para a Europa. A BYD já constrói uma fábrica na Hungria, e a AlixPartners prevê que as marcas chinesas cheguem a cerca de 16% de quota europeia até 2030.

Para o comprador português, a leitura é prática: as marcas chinesas deixaram de ser uma curiosidade e passaram a ser uma alternativa real, sobretudo no elétrico acessível. Se está a pensar num elétrico abaixo dos 30.000€, vale a pena incluir a BYD na comparação — a mesma marca que, em maio, vendeu mais carros do que a Citroën em toda a Europa. O próximo passo a vigiar é a decisão sobre as tarifas aos híbridos, que pode mexer com os preços já em 2026.

Perguntas Frequentes

A gama da BYD em Portugal começa no Dolphin Surf, o modelo de entrada, na casa dos 20.000€, e sobe até berlinas e SUV como o Seal e o Seal U DM-i. É precisamente esta amplitude de preços, de cima a baixo, que permitiu à BYD vender 32.380 carros na Europa em maio de 2026 e ultrapassar a Citroën. Para um elétrico abaixo dos 30.000€, vale a pena pedir um orçamento atualizado a um concessionário, já que os preços variam com versão, bateria e campanhas.

As marcas chinesas deixaram de ser uma curiosidade: em maio de 2026 venderam 121.030 veículos na Europa, uma quota recorde de 10,7%, ou seja mais de um em cada dez carros novos. Marcas como a BYD oferecem garantias longas, equipamento generoso e preços competitivos sobretudo no elétrico acessível. O principal ponto a acompanhar é a rede de assistência e o valor de revenda, ainda em construção face às marcas europeias estabelecidas.

Os grandes impulsionadores do volume da BYD são os modelos elétricos e híbridos plug-in mais acessíveis, com destaque para o Dolphin Surf (entrada de gama) e o Seal U DM-i, este último um SUV híbrido plug-in. A estratégia de cobrir vários segmentos com motorizações BEV e PHEV explica o salto de 145,2% nas vendas no acumulado de janeiro a maio de 2026, para 135.307 unidades.

Em maio de 2026, o conjunto das marcas chinesas atingiu uma quota recorde de 10,7% do mercado europeu, acima dos 9,8% de abril. Os cinco maiores grupos de capital chinês (SAIC, BYD, Geely, Chery e Leapmotor) somaram 619.353 carros no acumulado de cinco meses, cerca de 10,6% do mercado. A consultora AlixPartners prevê que as marcas chinesas cheguem a cerca de 16% de quota europeia até 2030.

Bruxelas aplica desde outubro de 2024 direitos anti-subsídios aos elétricos fabricados na China e estuda agora estender as tarifas aos híbridos plug-in, o que poderia subir os preços dos modelos importados em 2026. No entanto, o impacto tende a diluir-se à medida que a produção se desloca para a Europa: a BYD já constrói uma fábrica na Hungria para abastecer o mercado europeu sem tarifas.