
Chama-se Great Seagull (Da Haiou, 大海鸥) e vai ser lançado na China ainda em 2026. A confirmação veio de Zhang Zhuo, diretor-geral da divisão de vendas da rede Ocean da BYD, no Salão Automóvel de Chengdu. O nome segue a lógica da série Dynasty — Da Tang, Da Han — e o carro faz exatamente o que o nome sugere: pega no Seagull, o modelo que em Portugal conhecemos como Dolphin Surf, e estica-o.
Quanto? 425 mm. O Seagull atual tem 3.780 mm de comprimento; o Great Seagull tem 4.205 mm. Isso deixa-o a apenas 65 mm do Dolphin. Para quem anda à procura de um citadino elétrico barato em Portugal, a pergunta óbvia é se este carro chega cá — e se vale a pena esperar por ele.
Antes do anúncio de Chengdu, o carro já tinha passado pela homologação do MIIT, o organismo chinês que obriga os construtores a publicar as medidas e os motores antes da comercialização. É daí que vêm os números concretos.
| Especificação | Great Seagull | Seagull atual | Dolphin Surf (Europa) |
|---|---|---|---|
| Comprimento | 4.205 mm | 3.780 mm | 3.990 mm |
| Largura | 1.810 mm | 1.715 mm | 1.720 mm |
| Altura | 1.570 mm | 1.540 mm | 1.590 mm |
| Distância entre eixos | 2.650 mm | 2.500 mm | 2.500 mm |
| Peso em vazio | 1.180–1.255 kg | n/d | 1.465 kg (Comfort) |
| Potência | 95 kW (127 cv) | 55 kW (74 cv) | 65 kW (88 cv) / 115 kW (156 cv) |
| Bateria | 30 kWh / 39,2 kWh LFP FinDreams | 30,08 / 38,88 kWh Blade LFP | 30 / 43,2 kWh úteis Blade LFP |
| Autonomia | 320–420 km CLTC | 305 / 405 km CLTC | 220 / 322 / 310 km WLTP |
| Velocidade máxima | 150 km/h | 130 km/h | 150 km/h |
O salto mais relevante não está nas medidas, está no motor. O Seagull atual vive com 55 kW (74 cv) e 135 Nm — chega para a cidade, custa a sair de uma via rápida. O Great Seagull leva um motor síncrono de ímanes permanentes de 95 kW (127 cv), quase o dobro, com velocidade máxima a subir de 130 para 150 km/h. Os 150 mm extra de distância entre eixos vão praticamente todos para o espaço interior, porque as consolas e os bancos não crescem com o chassis.
As baterias são LFP da FinDreams (a divisão de baterias do próprio grupo BYD), em 30 kWh e 39,2 kWh, para 320 a 420 km em ciclo CLTC. Atenção a esse "CLTC": é o ciclo de homologação chinês e é notoriamente otimista. Numa conversão grosseira para WLTP, o padrão europeu, falamos de algo como 250 a 330 km — ou seja, mais ou menos o que o Dolphin Surf já entrega hoje, mas num carro maior e mais potente.

A resposta está nas vendas. Em junho de 2026 a BYD entregou 9.825 Seagull na China; a Geely colocou 33.359 unidades do Xingyuan (também conhecido por EX2) no mesmo mês. Mais do triplo. Em julho o Seagull ficou-se pelos 8.879 contra 13.910 do Dolphin, e o pico de 34.005 unidades de abril de 2026 ficou para trás.
O Seagull continua a ser um sucesso global — foi o quinto elétrico mais vendido do mundo até maio de 2026, com mais de 125.000 unidades. Mas na China o segmento moveu-se: os compradores querem um carro maior pelo mesmo dinheiro. O Great Seagull é a resposta direta ao Xingyuan e ao GAC Aion UT, e deverá funcionar como alternativa mais barata e menos potente ao Dolphin, podendo até substituir a versão de entrada deste último.
Os protótipos do Great Seagull circulam com um LiDAR montado no tejadilho, ligado ao sistema DiPilot 300 — o "God's Eye B" da BYD — com condução assistida NOA em cidade e em autoestrada, reconhecimento de semáforos, rotundas e estacionamento automático, tudo processado por um Nvidia Drive Orin.
Isto já não é novidade absoluta: o Seagull de 2026 vendido na China oferece o mesmo pacote a partir de 90.900 yuan (cerca de 13.400 dólares), o que fez dele o primeiro elétrico abaixo dos 15 mil dólares com LiDAR de série numa versão de gama. A gama chinesa completa vai de 69.900 a 97.900 yuan — traduzindo, entre 10.300 e 14.400 dólares. É esse o contexto que ajuda a perceber a distância entre os preços chineses e os europeus: direitos aduaneiros, homologação, equipamento de série diferente e IVA fazem o resto.
Enquanto o Great Seagull não sai da China, o carro que existe cá é o Dolphin Surf, com três versões:
No Reino Unido a tabela é de £18.650, £21.950 e £23.950. Na Europa continental o EV Database regista 26.690 € nos Países Baixos e 30.990 € na Alemanha para a versão Comfort, enquanto a Electrek aponta 22.990 € como preço de entrada europeu. Em Portugal, a BYD tem feito campanhas com o Dolphin Surf a partir de cerca de 19.990 € (+IVA) e os anúncios de stand rondam os 21.000 € para o Active e os 28.000 € para o Comfort — valores que mudam com as campanhas e que convém confirmar diretamente no concessionário antes de decidir.
Do lado fiscal, ajuda: sendo 100% elétrico, o Dolphin Surf está isento de ISV e paga IUC reduzido, e continua elegível para os apoios à compra quando existe dotação disponível.
Os 310 km WLTP da versão Comfort não são o que se vê no computador de bordo. Segundo o EV Database, o consumo real dá cerca de 305 km combinados com tempo ameno (400 km só em cidade, 240 km em autoestrada) e 220 km no frio a -10 °C com aquecimento ligado.
Traduzindo para a realidade portuguesa: para um trajeto casa-trabalho na Grande Lisboa ou no Porto, com carregamento em casa, é folgado — uma carga por semana chega. Para Lisboa-Porto é outra conversa. Com 85 kW de pico e 10-80% em 32 minutos num carregador rápido, faz-se, mas com uma paragem obrigatória. O próprio EV Database classifica a aptidão para longas distâncias em 1,5 em 5. A bagageira de 308 litros (1.037 L com os bancos rebatidos) e os quatro lugares homologados também definem o perfil: é um carro de cidade e fins de semana, não um devorador de autoestrada.
A segurança, essa, não é ponto fraco. Cinco estrelas Euro NCAP em 2025, com 82% para ocupantes adultos e 86% para crianças, seis airbags, AEB, aviso de faixa e monitorização do condutor em todas as versões.
Não há data confirmada nem sequer garantia de que o modelo venha para a Europa. A BYD apenas confirmou, pela voz de Zhang Zhuo no Salão Automóvel de Chengdu de 2026, o lançamento na China durante este ano. A Electrek refere que a marca prevê introduzir melhorias equiparáveis no Dolphin Surf e no Dolphin Mini para os mercados internacionais, o que é uma intenção genérica e não um compromisso. Historicamente, um modelo BYD lançado na China demora entre 12 e 24 meses a chegar à Europa homologado e muitas vezes com outro nome comercial, pelo que uma eventual chegada a Portugal só seria realista em 2027 ou 2028.
O preço ainda não foi anunciado, nem na China. A referência possível é o Seagull atual, vendido no mercado chinês entre 69.900 e 97.900 yuan (cerca de 10.300 a 14.400 dólares). Como o Great Seagull é maior, tem 95 kW em vez de 55 kW e baterias LFP FinDreams de 30 e 39,2 kWh, é expectável que fique acima desse intervalo. Uma transposição direta para Portugal não funciona: a versão chinesa equivalente ao Dolphin Surf custa cerca de 10.300 dólares e o carro chega cá perto dos 20.885 euros, por causa do transporte, homologação europeia, IVA e equipamento de série diferente.
O Great Seagull é 425 mm mais comprido: 4.205 mm contra 3.780 mm do Seagull, com mais 150 mm de distância entre eixos (2.650 mm) e mais 95 mm de largura. A potência sobe de 55 kW (74 cv) para 95 kW (127 cv), a velocidade máxima passa de 130 para 150 km/h e as baterias LFP de 30 e 39,2 kWh anunciam 320 a 420 km CLTC, o equivalente a cerca de 250 a 330 km em ciclo WLTP. Na prática, o Great Seagull fica só 65 mm mais curto do que o Dolphin, posicionando-se como alternativa mais barata a esse modelo.
Os veículos 100% elétricos estão isentos de ISV e de IUC em Portugal, o que representa a maior vantagem fiscal face a um citadino a gasolina equivalente. Para empresas, o IVA da aquisição é dedutível dentro dos limites legais de valor de aquisição definidos para veículos elétricos. Existem ainda incentivos pontuais à compra de veículos de zero emissões com dotação anual limitada, pelo que convém confirmar a dotação em vigor no momento da compra. Com preços de tabela na ordem dos 20.885 euros para a versão Active, estes fatores podem alterar significativamente o custo final.
O Dolphin Surf posiciona-se acima do Dacia Spring em potência e segurança e abaixo do Citroën ë-C3 e do Hyundai Inster em espaço interior. Com 3.990 mm de comprimento, 308 litros de bagageira (1.037 litros com os bancos rebatidos) e apenas quatro lugares homologados, é um carro de cidade. As versões Boost e Comfort oferecem 322 e 310 km WLTP e carregamento DC até 85 kW, com 10 a 80% em cerca de 32 minutos, e todas as versões têm cinco estrelas Euro NCAP obtidas em 2025, com 82% para ocupantes adultos. Se o Great Seagull chegar à Europa, com 4,2 metros e 127 cv, passaria a competir diretamente com o ë-C3, o Inster e o Renault 5 E-Tech.
Aqui é preciso ser claro: não existe qualquer confirmação de que o Great Seagull chegue à Europa, muito menos data ou nome comercial para Portugal. O que a Electrek adianta é que a BYD "prevê introduzir melhorias equiparáveis no Dolphin Surf e no Dolphin Mini para os mercados internacionais" — uma intenção genérica, não um compromisso. Nem sequer o preço chinês foi anunciado.
Historicamente, um modelo lançado na China leva entre 12 e 24 meses a chegar à Europa homologado, com o equipamento adaptado e um nome diferente. Quem precisa de carro em 2026 não tem nada de concreto para esperar. Quem pode adiar até 2027 ou 2028 deve olhar para o que aí vem com atenção — um citadino de 4,2 m com 127 cv e bateria LFP seria um rival direto do Citroën ë-C3, do Renault 5 E-Tech e do Hyundai Inster, num segmento onde os preços em Portugal ainda estão a estabilizar.
O que vale a pena vigiar nos próximos meses é o preço chinês do Great Seagull. Se ficar perto dos 69.900 yuan do Seagull, é sinal de que a BYD quer manter o posicionamento agressivo — e é aí que a hipótese de uma versão europeia começa a fazer sentido comercial.