
Há um novo construtor chinês a tentar a sorte na Europa, mas não com SUV ou berlinas. A Bontu — nome que talvez nunca tenha ouvido — apostou nos microcarros elétricos, esses quadriciclos minúsculos que cabem em qualquer lugar e que se conduzem a partir dos 14 ou 16 anos. A apresentação foi em Milão, a 22 de maio de 2026, e o Bontu microcarro elétrico chega à Europa com três modelos: dois citadinos (BTE05 e BT09) e uma pequena comercial (BTE03).
A marca pertence à Shandong Bentu New Energy Vehicle Industry e nasceu em março de 2020, em Xintai, na província chinesa de Shandong. Itália é a base escolhida para o sul da Europa: já tem uma filial italiana e um armazém de peças em Ancona a funcionar. Faz sentido começar por lá — em mercados do sul, com cidades apertadas e ZER (zonas de emissões reduzidas) a multiplicarem-se, um carro de três metros tem público.
Aqui está o detalhe estratégico que explica tudo. As tarifas anti-dumping que a UE aplicou aos carros elétricos chineses — e que encareceram modelos da BYD, MG e companhia — não se aplicam aos quadriciclos L6e e L7e. A Bontu homologou toda a gama ao abrigo do Regulamento 168/2013, a mesma categoria do Citroën Ami. Resultado: entra na Europa sem o peso fiscal que trava as outras marcas chinesas, e com custos de homologação e distribuição bem mais baixos do que os de um automóvel completo.
É uma porta lateral inteligente. Enquanto Bruxelas discute tarifas sobre carros chineses, os microcarros passam por baixo do radar. Para o comprador, traduz-se numa coisa simples: preços que começam nos 9.500€.
O BT09 é o modelo de entrada e o mais interessante para quem procura um microcarro elétrico sem carta tradicional. Mede 2,75 metros — 25 cm mais curto que o irmão maior — e existe em duas versões.
A versão L6e leva uma bateria de 7,68 kWh, faz 130 km, limita-se a 45 km/h e conduz-se a partir dos 14 anos com carta AM. É a configuração de quadriciclo ligeiro, a mais acessível. Já a versão L7e sobe para 10 kWh, 150 km de autonomia, 75 km/h e quatro lugares, mas exige 16 anos e carta B1. Ambas usam um motor síncrono de ímanes permanentes de 6 kW nominais e 12 kW de pico, e carregam em cerca de 3 horas numa tomada doméstica.
O ponto que faz a diferença é a autonomia. O Citroën Ami e o Fiat Topolino, os rivais óbvios, fazem cerca de 75 km. O BT09 promete praticamente o dobro — 130 a 150 km — por um preço comparável, entre 9.500€ e 11.000€. Para quem usa o carro só na cidade, essa folga de autonomia significa carregar metade das vezes.

O BTE05 é o microcarro mais sério da gama. Tem três metros de comprimento, 1,50 de largura e 1,63 de altura, e a Bontu garante espaço comparável a um citadino do segmento A. Homologa-se como L7e (quadriciclo pesado), conduz-se a partir dos 16 anos com carta B1 e oferece dois ou quatro lugares.
A autonomia é o argumento de venda. Há duas baterias: 13,9 kWh para 170 km, ou 18,1 kWh para 222 km. Para um quadriciclo, 222 km é um número notável — chega para uma semana de deslocações urbanas sem ligar à ficha. A velocidade máxima fica nos 90 km/h e o motor debita até 30 kW de pico. O carregamento rápido recupera dos 30 aos 80% em cerca de 65 minutos.
| Especificação | BTE05 | BT09 L6e | BT09 L7e | BTE03 |
|---|---|---|---|---|
| Categoria UE | L7e | L6e | L7e | L7e-CU |
| Comprimento | 3,00 m | 2,75 m | 2,75 m | 3,56 m |
| Bateria | 13,9 / 18,1 kWh | 7,68 kWh | 10 kWh | 8,35 kWh |
| Autonomia | 170 / 222 km | 130 km | 150 km | 80-100 km |
| Velocidade máx. | 90 km/h | 45 km/h | 75 km/h | 81 km/h |
| Lugares / carga | 2 ou 4 | 2 | 4 | 340 kg |
| Idade / carta | 16 / B1 | 14 / AM | 16 / B1 | — |
| Preço indicativo (IT) | 14.000-17.000€ | 9.500-11.000€ | 9.500-11.000€ | 12.000-14.000€ |
A bordo, o BTE05 não parece tão espartano quanto a categoria faria supor: ABS, repartidor eletrónico de travagem, airbag do condutor, ar condicionado, câmara traseira, sensores de estacionamento e um ecrã táctil de 12 polegadas (mais um segundo de 7"). A célula usa 60% de aço de alta resistência. Em comparação direta, a Bontu posiciona-o contra o Ligier Myli, o Opel Rocks-e e o Microlino — e com 222 km bate-os todos em autonomia.
O terceiro modelo é a carrinha elétrica comercial BTE03, pensada para entregas urbanas. Mede 3,56 m de comprimento, leva 340 kg de carga e existe em versões pick-up, camião ou furgão. A bateria de 8,35 kWh dá 80 a 100 km, o motor de 7,5 kW gera 60 Nm e a velocidade máxima fica nos 81 km/h. Carrega a 80% em 90 minutos e completa em 3 horas.
Não é um carro para o consumidor comum — só tem porta do condutor, com portas traseiras e lateral opcionais — mas faz sentido para floristas, restauração ou estafetas que circulam dentro de uma cidade e querem fugir aos custos de uma comercial a gasóleo.
Ainda não há preços oficiais para Portugal, mas em Itália o Bontu BTE05 arranca nos 14.000€ e vai até cerca de 17.000€, consoante a bateria (13,9 kWh/170 km ou 18,1 kWh/222 km). O BT09, mais pequeno, custa entre 9.500€ e 11.000€. Como é homologado como quadriciclo L7e, escapa às tarifas anti-dumping da UE sobre carros elétricos chineses, o que ajuda a manter o preço baixo.
Depende do modelo: o BTE05 oferece 170 km (bateria de 13,9 kWh) ou até 222 km (18,1 kWh), enquanto o BT09 faz 130 km (versão L6e) ou 150 km (L7e). É praticamente o dobro dos cerca de 75 km do Citroën Ami e do Fiat Topolino, e os 222 km do BTE05 batem rivais como o Ligier Myli, o Opel Rocks-e e o Microlino.
O BT09 na versão L6e conduz-se a partir dos 14 anos com carta AM (em Portugal, a partir dos 16 anos com a mesma carta AM). As versões mais potentes — BT09 L7e e BTE05 — são quadriciclos pesados L7e e exigem 16 anos e carta B1. Limitam-se a 45 km/h (L6e) ou até 90 km/h (BTE05) e não circulam em autoestrada.
O BT09 entra na mesma categoria L6e/L7e do Citroën Ami e do Fiat Topolino e tem preço comparável (9.500€ a 11.000€), mas oferece quase o dobro da autonomia — 130 a 150 km contra os ~75 km do Ami. A versão L7e acrescenta ainda quatro lugares e 75 km/h de velocidade máxima, sendo uma alternativa mais capaz para quem precisa de um microcarro só para a cidade.
Por agora não há nada oficial para Portugal — a Bontu montou a operação em Itália, com um armazém de peças em Ancona, e deve expandir-se primeiro pelo sul da Europa. Está prevista uma fábrica europeia de montagem CKD, com escolha do local até ao fim de 2026 e produção em série entre o fim de 2027 e o início de 2028. Toda a gama tem garantia de 3 anos ou 50.000 km, e o enquadramento legal português para quadriciclos já existe e joga a favor.
A pergunta inevitável: e em Portugal? Por agora, nada de oficial. A Bontu montou a operação em Itália e o armazém de peças está em Ancona, o que aponta para uma expansão pelo sul da Europa antes de chegar cá. Há também uma fábrica europeia de montagem CKD no horizonte — escolha do local até ao fim de 2026 e produção em série entre o fim de 2027 e o início de 2028, segundo a imprensa italiana.
Em Portugal, o enquadramento legal já existe e joga a favor: um L6e conduz-se a partir dos 16 anos com carta AM, e os preços italianos (a partir de 9.500€) seriam competitivos no nosso mercado, onde o Citroën Ami já abriu caminho para esta categoria. Toda a gama tem garantia de 3 anos ou 50.000 km.
Há, no entanto, um senão honesto: estes carros não andam em autoestrada. Acima dos 70 km/h a suspensão começa a transmitir oscilações, segundo quem os experimentou em Milão, e a velocidade máxima exclui qualquer viagem mais longa. São carros de cidade, ponto final. Para quem precisa disso — e só disso — a Bontu traz autonomia a mais e preço a menos do que a concorrência já instalada. Vale a pena ficar atento aos próximos anúncios de preços e à eventual chegada de um importador português.