
Um Q4 e-tron "40" de 2022 e um "40" de 2025 têm o mesmo emblema na traseira, mas baterias diferentes — 77 kWh úteis no primeiro, 59 kWh no segundo. É o detalhe que mais apanha quem procura um Audi Q4 e-tron usado, e não é o único. A Audi mudou nomes, motores e velocidades de carregamento três vezes em quatro anos.
A boa notícia: por baixo da confusão está um dos elétricos usados mais fiáveis do mercado. Nos relatórios TÜV alemães, o Q4 está entre os melhores elétricos, e as baterias que já passaram os 160.000 km continuam acima dos 90% de saúde. Para quem quer comprar um Audi Q4 e-tron usado em Portugal, saber ler a geração certa vale mais do que qualquer negociação de preço.
O Q4 e-tron chegou em 2021 sobre a plataforma MEB do grupo Volkswagen, a mesma do VW ID.4, do ID.5 e do Skoda Enyaq. Partilham baterias e motores. Foi fabricado em Zwickau e, a partir de 2023, também em Bruxelas.
Paga-se mais pela marca, por tecnologia extra e por um interior de melhor qualidade. Mede 4,59 m, pesa cerca de 2,2 toneladas e oferece uma bagageira de 520 litros na versão SUV ou 535 litros no Sportback, com quase 1.500 litros com os bancos rebatidos. O espaço atrás chega para adultos.
O Sportback é a variante de traseira descaída, ligeiramente mais aerodinâmica e eficiente. Na Alemanha custava cerca de 2.000 € a mais em novo. No usado, a diferença dilui-se — escolha pelo gosto e pelo estado do carro.
Esta tabela é o mapa essencial antes de olhar para qualquer anúncio:
| Versão | Período | Potência | Tração | Bateria (bruta/útil) | Carregamento DC | Autonomia WLTP |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 35 e-tron | 2021–2023/24 | 170 cv | Traseira | 55/52 kWh | 100–125 kW | 341–346 km |
| 40 e-tron (antigo) | 2021–2023 | 204 cv | Traseira | 82/77 kWh | 125–135 kW | 473–508 km |
| 50 e-tron quattro | 2021–2023 | 299 cv | Integral | 82/77 kWh | 135 kW | 447–480 km |
| 45 e-tron | desde set. 2023 | 286 cv | Traseira ou quattro | 82/77 kWh | 135 kW / 175 kW (quattro) | até 562 km |
| 55 e-tron quattro | desde set. 2023 | 340 cv | Integral | 82/77 kWh | 175 kW | — |
| 40 e-tron (novo) | desde 2025 | 204 cv | Traseira | 63/59 kWh | 145 kW | 402–415 km |
A atualização de setembro de 2023 (ano-modelo 2024) foi a mais importante. O 35 com bateria pequena saiu de cena, todas as versões passaram a ter os 77 kWh úteis e um novo motor síncrono no eixo traseiro trouxe mais potência e eficiência. O 45 de tração traseira passou a 286 cv, a mesma potência do quattro.
No carregamento, as versões de tração traseira subiram de 125 para 135 kW e as quattro para 175 kW. Resultado prático: 10–80% em cerca de 28 minutos, o tempo de um café numa área de serviço da A1. A autonomia WLTP do Sportback 45 saltou de 487 para 562 km.
Antes disso, houve passos menores que pesam no usado:
O WLTP é otimista, como sempre. Um 45 de tração traseira, homologado para 550 km (342 milhas), faz na prática entre 467 e 500 km. Chega para um Lisboa–Porto sem paragens, com margem de sobra.
O 35 é outra história. Dos 346 km oficiais, sobram cerca de 280 km reais — suficiente para quem faz deslocações diárias na Grande Lisboa e carrega em casa, mas curto para quem atravessa o país com frequência. Conte ainda com uma perda de 1–2% de autonomia por ano ou por cada 16.000 km.
Para a maioria dos compradores, a escolha certa é um carro com a bateria grande: o 40 antigo (até 2023) ou o 45 posterior à atualização. A EV Powered recomenda o acabamento S line — jantes de 20 polegadas, suspensão mais firme e um visual mais desportivo que o Sport.
O 50 e o 55 quattro só fazem sentido se precisa de tração integral ou quer prestações a sério. Gastam mais (17,9–21,3 kWh/100 km no 45 quattro, contra 17–19,3 kWh/100 km nas versões de tração traseira) e o 55 é o menos eficiente da gama. O 35 só compensa se o preço for claramente mais baixo e o uso for quase todo urbano.

Nos números, o Q4 sai-se muito bem. No Relatório TÜV 2026, que avalia carros com 2–3 anos, 92,2% passaram a inspeção sem defeitos, contra uma média de 89,4%. Só 4,0% tiveram defeitos significativos (média de 6,5%), o que o coloca como segundo melhor elétrico do relatório, logo atrás do Mini Cooper SE. Na Euro NCAP tem 5 estrelas (2021), com 93% na proteção de adultos.
O ponto fraco são os travões. O TÜV regista defeitos no travão de serviço em 0,4% dos carros, contra 0,2% de média — pouco em termos absolutos, e partilhado com o ID.4 e o Enyaq.
Nada disto é grave, mas convém testar. As queixas mais comuns são o sistema de infotainment que bloqueia ou perde a ligação ao telemóvel, a tampa de carregamento que não abre e o cabo que não solta (às vezes nem com o desbloqueio de emergência). Os plásticos da parte de baixo das portas riscam com facilidade e há relatos de acabamentos interiores pegajosos.
A bateria é onde o Q4 mais tranquiliza. A Electrifying analisou vários usados e nenhum estava abaixo de 90% de estado de saúde (SOH). Um carro com mais de 160.000 km em cinco anos continuava acima dos 90%; outro com 66.000 km marcava 93%. Como se vê, o cuidado no uso conta mais do que os quilómetros.
A garantia da bateria de alta tensão é de 8 anos ou 160.000 km, com um mínimo de 70% de capacidade. Atenção ao pormenor: a Audi só é obrigada a reparar a bateria até voltar acima dos 70%, não a substituí-la. Num Q4 de 2021, a garantia ainda cobre até 2029.
Peça sempre um relatório de SOH. Um teste numa oficina da marca ou um diagnóstico independente custa pouco face ao valor do carro.
Ainda não temos uma amostra de preços portugueses que sustente uma tabela por versão. A referência mais sólida é a Alemanha, onde a oferta é grande: cerca de 2.400 anúncios no mobile.de, a partir de 19.000–22.000 €, com preços em queda.
Exemplos de anúncios alemães recentes ajudam a perceber o mercado:
| Versão | Registo | Quilómetros | Preço |
|---|---|---|---|
| Q4 e-tron 35 | 02/2022 | 18.725 km | 26.240 € |
| Q4 Sportback 35 | 08/2022 | 15.632 km | 30.480 € |
| Q4 e-tron Sportback 35 | 01/2023 | 13.555 km | 32.880 € |
| Q4 e-tron Sportback 40 | 12/2022 | 18.691 km | 37.553 € |
| Q4 e-tron 50 quattro | 10/2022 | 18.661 km | 38.260 € |
| Q4 Sportback 50 quattro | 07/2022 | 19.048 km | 38.999 € |
No Reino Unido, o leque vai de 14.000 libras (um Sport dos primeiros) a 40.000 libras (um S line de 2024), e os carros posteriores à atualização começam nas 26.000 libras. Para comparação, um Q4 novo arrancava nos 52.950 € na Alemanha em 2023 e hoje começa nos 46.150 €.
Para quem compra cá, há duas vantagens. Os elétricos estão isentos de ISV, o que torna a importação da Alemanha uma opção real — ficam os custos de transporte, legalização e inspeção. E não pagam IUC, o que mantém baixo o custo anual. Compare os preços pedidos em Portugal com os valores acima antes de decidir.
Os três partilham baterias, motores e carregamento. A escolha resume-se a interior, espaço e preço.
| Audi Q4 e-tron | VW ID.4 | Skoda Enyaq | |
|---|---|---|---|
| Bagageira | 520 L | cerca de 543 L | 585 L |
| Bateria grande (WLTP) | 77 kWh, 317 milhas (510 km) | 77 kWh, 328 milhas (528 km) | 77 kWh, 331 milhas (533 km) |
| Interior | O melhor dos três | Materiais mais simples | Ambiente cuidado |
| Fiabilidade (What Car?) | Atrás do Enyaq | Atrás do Enyaq | O melhor dos três |
O Audi tem o interior mais bem conseguido, com o Virtual Cockpit e, nos primeiros carros, botões físicos para a climatização. Em troca, tem a bagageira mais pequena e custa mais em novo. A Carbuyer escolheu o Enyaq como a melhor compra — mais espaço e bom equipamento por menos dinheiro — e o inquérito de fiabilidade da What Car? também o coloca à frente dos irmãos.
Ainda assim, o Q4 continua a ser a opção para quem valoriza a imagem e o acabamento. Num usado, a diferença de preço face ao Enyaq encolhe, e é aí que o Audi começa a fazer mais sentido.
A melhor referência é o mercado alemão, com cerca de 2.400 anúncios no mobile.de a partir de 19.000–22.000 €. Exemplares de 2022–2023 com menos de 20.000 km pedem entre 26.000 € (35 e-tron) e 39.000 € (50 quattro). Comparado com os 52.950 € que custava novo em 2023, já perdeu grande parte do valor. Como os elétricos estão isentos de ISV e de IUC, um carro importado da Alemanha custa apenas o preço pedido mais transporte, legalização e inspeção.
O 35 (2021–2023/24) tem 170 cv e uma bateria de 52 kWh úteis, com cerca de 280 km de autonomia real para 341–346 km WLTP. O 40 vendido até 2023 tem 204 cv e 77 kWh úteis, e anuncia 473–508 km WLTP. Para quem faz autoestrada, a diferença compensa: o 35 só faz sentido com uso quase todo urbano e um preço claramente mais baixo. Confirme a capacidade da bateria, porque o novo 40 de 2025 usa uma bateria de 59 kWh.
A garantia da bateria de alta tensão é de 8 anos ou 160.000 km e cobre quebras de capacidade abaixo de 70%. Está associada ao veículo, por isso um Q4 de 2021 continua coberto até 2029 se não tiver ultrapassado os 160.000 km. A Audi só tem de reparar a bateria até voltar acima dos 70%, não de a substituir. Peça ao concessionário que confirme a cobertura pelo número de chassis antes de comprar.
Depende do ano-modelo. Os carros de 2021 carregam a 100–125 kW, os de 2022–2023 a até 135 kW, e os posteriores à atualização de setembro de 2023 fazem 135 kW (tração traseira) ou 175 kW (quattro), ou seja, 10–80% em cerca de 28 minutos. O novo 40 de 2025, com bateria de 59 kWh, aceita até 145 kW. Para quem faz muitas viagens, um 45 quattro pós-2023 é a escolha mais rápida a carregar.
Partilham a plataforma MEB, a bateria de 77 kWh e os motores, por isso a autonomia é quase igual: 510 km WLTP no Q4 contra 528 km no ID.4. O Audi oferece o melhor interior, com Virtual Cockpit e materiais superiores, mas tem a bagageira mais pequena (520 L contra cerca de 543 L no ID.4 e 585 L no Skoda Enyaq). Se o espaço e o preço pesam mais, o ID.4 ou o Enyaq compensam; se valoriza o acabamento, o Q4 justifica a diferença, que no usado é menor do que em novo.
Vale, se escolher bem. Um 40 de bateria grande de 2022–2023 ou um 45 pós-atualização, com relatório de SOH acima de 90% e recalls feitos, é dos elétricos usados mais sensatos para uma família em Portugal: autonomia real perto dos 500 km, bateria que envelhece devagar e garantia até 160.000 km. Fuja dos anúncios que não dizem a capacidade da bateria — e não deixe que um "40" lhe venda um carro que não é o que pensa.