
A versão mais eficiente do novo Audi A2 e-tron não é a que tem a bateria maior. É a do meio — 140 kW, bateria de 61 kWh — e faz 12,8 kWh aos 100 km em ciclo WLTP com o pacote eficiência opcional. A Audi diz que é o carro de produção mais eficiente que alguma vez construiu, e o dado interessante para quem compra é este: com 61 kWh consegue 515 km homologados, mais do que muitos elétricos com baterias bem maiores.
Já contámos aqui a história da apresentação do modelo. Esta ficha técnica do Audi A2 e-tron serve outro propósito: pôr as quatro versões lado a lado, perceber o que muda entre elas e responder à pergunta que interessa a quem vai gastar o dinheiro — qual delas faz sentido em Portugal.
Três baterias, quatro potências, todas com tração traseira e um único motor síncrono de ímanes permanentes. Não há versão de tração integral. As capacidades abaixo são brutas, como a Audi as comunica — em capacidade útil, os valores rondam 50, 58 e 79 kWh.
| Especificação | 125 kW | 140 kW | 170 kW | 240 kW |
|---|---|---|---|---|
| Potência (cv) | 170 | 190 | 231 | 326 |
| Binário (Nm) | 350 | 350 | 350 | 545 |
| Bateria bruta (kWh) | 52 LFP | 61 LFP | 84 NMC | 84 NMC |
| Autonomia WLTP (km) | até 423 | até 515 | até 646 | até 630 |
| Consumo (kWh/100 km) | desde 13,7 | desde 12,8 | desde 13,9 | desde 14,2 |
| 0-100 km/h (s) | 8,8 | 7,9 | 7,0 | 5,7 |
| Velocidade máxima (km/h) | 160 | 160 | 160 | 200 |
| Carga DC máxima (kW) | 100 | 105 | 183 | 183 |
| DC 10-80% (min) | 24 | 26 | 29 | 29 |
| Preço na Alemanha | 38.200 € | 41.900 € | 48.900 € | 51.200 € |
As duas baterias mais pequenas usam células LFP em construção célula-a-pacote (cell-to-pack). Tem uma vantagem prática que se nota no dia a dia: podem ser carregadas a 100% todos os dias sem penalizar a vida útil. A bateria de 84 kWh é NMC com construção modular, mais densa em energia mas com as regras habituais — carregar a 80% na rotina, 100% só quando precisa mesmo.
A autonomia máxima do Audi A2 e-tron são 646 km, na versão de 170 kW com a bateria de 84 kWh. Mas essa versão gasta 13,9 kWh/100 km — mais do que os 12,8 da versão de 61 kWh. A explicação é simples: uma bateria maior pesa mais, e o peso extra come parte do ganho.
Por trás do número está um conjunto de decisões de engenharia, não um truque isolado. Coeficiente aerodinâmico de 0,24 Cd (o VW ID.3 fica-se pelos 0,26), entrada de ar frontal controlável, fundo do carro praticamente todo carenado, redutores de folga nas cavas das rodas, jantes aerodinâmicas e puxadores de porta elétricos em forma de asa, encastrados na carroçaria. No lado elétrico, eletrónica de potência com semicondutores de carboneto de silício, lamelas de motor mais finas e uma transmissão com menos atrito.

Na estrada, os primeiros testes britânicos com a versão de 61 kWh deram entre 4,4 e 5,55 milhas por kWh — o equivalente a 410 a 518 km reais, conforme o estilo de condução. Ou seja, o valor WLTP de 515 km é atingível, mas exige mão leve. Para referência prática: Lisboa-Porto são cerca de 300 km, e qualquer uma das versões faz esse trajeto sem parar para carregar.
O pacote eficiência — jantes aerodinâmicas, suspensão desportiva e acabamento S line — poupa cerca de 0,9 kWh aos 100 km sozinho. Numa utilização de 15.000 km por ano, isso são aproximadamente 135 kWh poupados, ou perto de 20 a 30 € de eletricidade doméstica. O ganho real não está na fatura: está nos quilómetros extra por carga, que é o que evita paragens numa viagem longa.
Os tempos de carregamento do A2 e-tron são bons sem serem excecionais, e curiosamente muito próximos entre as três baterias.
O detalhe que conta: a bateria grande demora apenas cinco minutos a mais do que a pequena e recupera muito mais autonomia nesse tempo. Numa paragem de 29 minutos num carregador rápido da autoestrada, a versão de 84 kWh recupera à volta de 450 km. Na prática, é uma paragem de café e casa de banho.
A travagem regenerativa tem três níveis comandados por patilhas no volante (D1 a −0,6 m/s², D2 a −1,0, D3 a −1,5) mais um modo B de condução a um pedal.
O carregamento bidirecional está presente, mas com uma ressalva importante para quem compra em Portugal. O V2L (vehicle-to-load), que permite alimentar equipamentos externos a partir da bateria, é de série em todas as versões. Já o V2H — alimentar a casa a partir do carro — arranca limitado à Alemanha, Áustria e Suíça. Em Portugal, no lançamento, não conte com essa função.
Com 4,32 m de comprimento e 1,79 m de largura (sem espelhos), o A2 e-tron é compacto por fora. Os 2,77 m de distância entre eixos garantem um espaço interior comparável ao do Q4 e-tron, e o espaço para as pernas atrás foi elogiado nos primeiros contactos.
A bagageira é o ponto fraco: 396 litros, 1.336 litros com os bancos rebatidos, mais uma frunk de 13 litros nas versões de 170 e 240 kW. É menos do que o Kia EV3, o Škoda Elroq e o Ford Puma Gen-E — e menos até do que o VW ID.Polo, o Renault 4 e o Cupra Raval, que são carros mais baratos. Se leva bicicletas, carrinhos de bebé ou malas de família com frequência, meça antes de assinar.
A bordo, o equipamento de série inclui instrumentação digital de 11,9 polegadas, ecrã tátil curvo de 12,8 polegadas, CarPlay e Android Auto sem fios, navegação, comandos por voz, cruise control adaptativo, câmara de marcha-atrás e alerta de tráfego traseiro. Em opção há teto panorâmico de 1,6 m², head-up display de realidade aumentada e sistema de som Sonos com 14 colunas e 660 W.
Aqui é preciso ser direto: não há preço nem data de lançamento anunciados para Portugal. O que existe é a tabela alemã, que começa nos 38.200 € para a versão de 125 kW e vai até 51.200 € para a de 240 kW. No Reino Unido arranca em 32.200 libras.
As encomendas abriram a 10 de setembro de 2026, com as primeiras entregas em dezembro de 2026 na Alemanha e nos Países Baixos. Itália recebe o modelo nos concessionários em janeiro de 2027. Com base nessa sequência, uma chegada a Portugal no primeiro trimestre de 2027 é a expetativa realista — mas é uma estimativa nossa, não um anúncio da marca.
Quanto ao preço português, os elétricos estão isentos de ISV e pagam IUC reduzido, o que ajuda. Ainda assim, os preços portugueses de importados premium costumam ficar acima da tabela alemã, pelo que 38.000 € deve ser lido como piso otimista e não como preço de rua.
| Modelo | Preço de entrada | Nota |
|---|---|---|
| Audi A2 e-tron | 38.200 € (Alemanha) | 423-646 km WLTP |
| Renault 5 E-Tech | 21.495 libras (Reino Unido, com incentivo) | já à venda em Portugal |
| VW ID.Polo | desde 25.000 € | versões de lançamento acima de 30.000 € |
| Cupra Raval | cerca de 26.000 € | duas químicas de bateria, quatro potências |
Olhando só para os números, o A2 e-tron pede um salto grande face à concorrência direta em tamanho. Mas não compete no mesmo terreno: nenhum destes rivais oferece 646 km WLTP nem interior premium. O A2 e-tron é a resposta cara e de longo curso a esse segmento, não uma alternativa de preço.
A Audi ainda não anunciou preços para Portugal. A referência oficial é a Alemanha, onde a gama começa nos 38.200 € para a versão de 125 kW e sobe até 51.200 € na de 240 kW, com 41.900 € e 48.900 € pelo meio. Como os elétricos estão isentos de ISV e de IUC em Portugal, é realista esperar valores próximos dos alemães, ainda que qualquer número nacional seja hoje apenas uma estimativa.
Não há data oficial para Portugal. As encomendas abriram a 10 de setembro de 2026 e as primeiras entregas acontecem em dezembro de 2026 na Alemanha e nos Países Baixos, com a Itália a receber o modelo nos concessionários a partir de janeiro de 2027. Seguindo esse calendário, o primeiro trimestre de 2027 é a expectativa mais realista para o mercado português — uma estimativa nossa, não uma confirmação da Audi.
Em WLTP, as quatro versões anunciam 423 km (52 kWh brutos), 515 km (61 kWh), 646 km (84 kWh, 170 kW) e 630 km (84 kWh, 240 kW). As capacidades úteis rondam os 50, 58 e 79 kWh. Os primeiros testes de estrada no Reino Unido registaram entre 4,4 e 5,55 milhas por kWh, o que equivale a cerca de 410 a 518 km reais com a bateria de 61 kWh — ou seja, muito perto do valor homologado.
Depende do que valoriza. A versão mais eficiente não é a de bateria maior: a de 140 kW (190 cv) com o pacote eficiência assina 12,8 kWh/100 km e 515 km, o melhor consumo alguma vez homologado num Audi de série — o pacote sozinho vale cerca de 0,9 kWh/100 km. Para máxima autonomia, a de 170 kW (231 cv) faz 646 km e carrega a 183 kW, contra 100 e 105 kW das versões com bateria LFP.
São 396 litros, ou 1.336 litros com os bancos traseiros rebatidos, mais um frunk de 13 litros exclusivo das versões de 170 e 240 kW. É o ponto fraco do carro: com 4,32 m de comprimento, 1,79 m de largura e 2,77 m de distância entre eixos, o espaço para os ocupantes aproxima-se do Q4 e-tron, mas a bagageira fica atrás de rivais como o Kia EV3, o Škoda Elroq, o VW ID.Polo e o Cupra Raval.
Para quem faz sobretudo cidade e periferia, a de 125 kW com 52 kWh chega e sobra — 423 km cobrem uma semana de deslocações em Lisboa ou no Porto com carregamento em casa ao fim de semana.
A de 140 kW é a escolha racional para a maioria. É a mais eficiente do lote, tem os 515 km que resolvem as viagens longas ocasionais e a bateria LFP deixa-o carregar a 100% sem preocupações. É também onde o pacote eficiência faz mais sentido.
A de 170 kW com 84 kWh justifica-se para quem faz muitos quilómetros de autoestrada e quer 646 km e 183 kW de carregamento. A de 240 kW, com 326 cv e 5,7 segundos até aos 100 km/h, é uma versão de desejo — perde autonomia face à de 170 kW e custa mais 2.300 €.
Fica a faltar o essencial: preço português e data. Quando a Audi Portugal abrir a tabela, é aí que se vê se o A2 e-tron entra no mercado como alternativa séria ao Q4 e-tron ou como um compacto premium caro demais para o que oferece na bagageira.